Frankenstein, Pecadores, Uma Batalha Após a Outra, F1 e O Agente Secreto estão entre os melhores filmes de 2025 (Montagem AT/Reprodução) O ano de 2025 se encerra com uma pequena safra de filmes bons. Alguns deles, você vai querer assistir mais de uma vez. Os melhores transitam entre drama, ação, aventura e terror, este último desmembrado em diversos subgêneros, entre eles, o gótico e o musical. Algumas produções já foram premiadas e até estão cotadas entre as favoritas para indicações ao Oscar, o maior prêmio do cinema. Na coluna desta segunda-feira (29), eu recomendo alguns desses títulos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pecadores Sem dúvida, Pecadores, escrito, coproduzido e dirigido por Ryan Coogler, lançado em abril, faz parte dessa seleção. É um filme de terror com uma proposta diferente: musical. E que musical! A trama é ambientada em 1932, na região do Delta do Mississippi, e retrata a jornada de dois irmãos gêmeos que retornam à cidade natal para recomeçar a vida, mas acabam confrontados por uma força sobrenatural. Michael B. Jordan dá vida aos dois protagonistas, ratificando a sua versatilidade e carisma como ator. O longa-metragem é ainda uma ode ao blues, que não só dá ritmo como se torna um personagem vivo e pulsante na trama. A referência a Robert Johnson, um influente guitarrista e compositor de blues americano que, segundo lenda urbana, teria vendido a alma ao diabo e morreu aos 27 anos, dá o tom do enredo que se segue. A trilha sonora magistral foi composta por Ludwig Göransson. O thriller Pecadores, com Michael B. Jordan e grande elenco (Warner Bros/Divulgação) Homem com H Já Homem com H, de Esmir Filho, que estreou em maio, conta a história do ícone Ney Matogrosso com visceralidade, poesia, sensualidade e profunda carga emocional. É um filme à flor da pele que apresenta as fases da vida do músico, da infância aos tempos atuais, embaladas pelas canções que marcaram sua carreira. Uma das sequências mais comoventes é o desfecho da relação entre pai e filho ao som de O Mundo é um Moinho, de Cartola, interpretada por Ney Matogrosso. É um deleite de encher os olhos de lágrimas! Ney, que é mato-grossense, é interpretado pelo ator pernambucano Jesuíta Barbosa, uma entrega que, por vezes, confunde quem é um e quem é o outro em cena. Imperdível! (Divulgação/Paris Filmes) Uma Batalha após a Outra Uma Batalha após a Outra, com roteiro e direção de Paul Thomas Anderson, é uma das surpresas do ano. O enredo sobre um pai que quer resgatar a filha sequestrada por um rival e, também, sua relação com ela, transita entre o drama, a comédia, a aventura e a tensão, tecendo ainda uma forte crítica à política anti-imigração. O filme, que estreou em setembro, conta com elenco de peso: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro, Teyana Taylor, Regina Hall e Chase Infiniti. Leonardo DiCaprio interpreta o ex-revolucionário Bob Ferguson (Warner Bros. Pictures/Divulgação) F1 Brad Pitt surpreendeu no drama esportivo F1, de Joseph Kosinski (Top Gun Maverick), que estreou em junho. Ele interpreta o piloto veterano Sonny Hayes, que retorna após uma ausência de 30 anos para salvar, da falência, a empresa de seu ex-colega Ruben Cervantes, interpretado por Javier Bardem. Com Damson Idris, Kerry Condon. O filme, que, basicamente, é uma publicidade de luxo feita para o cinema da Fórmula 1, tem como um dos produtores o heptacampeão Lewis Hamilton. O longa-metragem foi filmado em circuitos oficiais como Silverstone, em grandes prêmios realizados em 2023 e 2024, com câmeras de alta tecnologia, oferecendo ao espectador imagens que proporcionam uma experiência imersiva, inclusive, a sensação de assistir ao filme de dentro do cockpit, como um piloto de Fórmula 1. A produção contou com o apoio da Federação Internacional do Automóvel (FIA), organizadora da Fórmula 1, e tem trilha sonora de Hans Zimmer. Damson Idris como Joshua Pearce e Brad Pitt como Sonny Hayes (Apple original films/Divulgação) O Filho de Mil Homens Escrito e dirigido por Daniel Rezende, O Filho de Mil Homens (2025), lançado diretamente na plataforma Netflix, comoveu brasileiros e estrangeiros. A trama sobre o amor que cura é uma adaptação do romance homônimo do escritor português Valter Hugo Mãe, publicado em 2011. É daqueles filmes que preenchem a alma da gente, que nos provoca a refletir sobre o nosso quinhão de humanidade. Com um visual deslumbrante e uma sensibilidade poética, o enredo se desenrola a partir da perspectiva de quem sofre, do condenado ao exílio eterno apenas por ser diferente. Assim são contadas as histórias de Crisóstomo, Camilo, Isaura, Antonino e Francisca, respectivamente, um pescador estranho, um órfão, uma mulher solteira que não é mais virgem, um homossexual e uma anã. É no olhar triste e sem esperança de cada um desses personagens que se percebe o dano emocional grave provocado pela violência verbal, o preconceito e a discriminação. E são deles os corações mais puros e acolhedores. A produção conta com um elenco primoroso composto por Rodrigo Santoro, Rebeca Jamir, Johnny Massaro, Juliana Caldas, Miguel Martines, Tuna Dwek, Inêz Viana, Grace Passô entre outros. Rebeca Jamir, Johnny Massaro, Miguel Martines e Rodrigo Santoro (Divulgação/Netflix) O Agente Secreto Premiado e indicado do Brasil para concorrer ao Oscar, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, também foi um dos principais destaques do ano, com pré-estreia em outubro e estreia em novembro. O filme traça uma trajetória notável, conquistando prêmios — incluindo o de Melhor Direção e o de Melhor Ator no Festival de Cannes — e a aclamação da crítica em geral. Nesse thriller de ficção, o cineasta tece uma crítica social e política contundente, fria e calculada, explorando o risco letal da corrupção e do abuso de poder favorecidos pelo então sistema político vigente, com foco na história de um professor acadêmico ameaçado de morte, o Marcelo, interpretado por Wagner Moura. Retrata o comprometimento de todas as instituições, da polícia ao principal jornal da cidade. E o saldo desse sistema corrompido é um rastro de mortes sob a égide da impunidade. Kleber Mendonça Filho expõe um sistema podre, violento, coercivo, sanguinolento, impune e indigesto enraizado no Recife, no Estado de Pernambuco, em 1977, período da ditadura militar no Brasil. Mas, na trama, o regime político da época é apenas um pano de fundo que alimenta o comprometimento do sistema, o jeitinho brasileiro de levar vantagem custe o que custar. No elenco, além de Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Udo Kier, Alice Carvalho entre outros. O filme brasileiro O Agente Secreto foi pré-indicado ao Oscar 2026 nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Escalação de Elenco (Vitrine Filmes/Divulgação) Frankenstein Por fim, Frankenstein, o clássico conto gótico de terror de Mary Shelley transformado em um drama comovente e visualmente lindo por Guillermo del Todo, estreou nos cinemas em outubro e, na Netflix, em novembro. O cineasta mexicano, que assina o roteiro e a direção, fez uma adaptação livre na qual dividiu as histórias do criador e da criatura em duas partes iguais, com uma hora cada. O primeiro ato é dedicado à jornada excêntrica do inescrupuloso e ambicioso médico Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac. O segundo ato retrata a dor e a solidão da criatura, personagem de Jacob Elordi. O monstro é apresentado como um ser puro, cheio de bondade e amor aos animais, à mercê da crueldade humana e caçado como uma presa perigosa apenas por sua aparência horrenda. A trilha sonora de Alexandre Desplat é uma das maravilhas dessa produção irretocável. O grande mérito da versão de del Toro é o protagonismo da criatura. Assim como o cientista, o diretor se arrisca ao inovar na concepção do personagem (Divulgação/Netflix) Outros títulos Mas, para além dessa seleção, 2025 reservou uma vasta variedade de títulos de todos os gêneros, para todas as faixas etárias, que agradaram o público em geral. Entre os títulos mais comentados do ano estão: Missão Impossível 8 – O Acerto Final, de Christopher McQuarrie A Grande Viagem da Sua Vida, de Kogonada Superman, de James Gunn Jurassic World: Recomeço, de Gareth Edwards Amores Materialistas, de Celine Song Corra que a Polícia Vem Aí, de Akiva Schaffer Faça Ela Voltar, de Michael Philippou, Danny Philippou Invocação do Mal 4: O Último Ritual, de Michael Chaves O Telefone Preto 2, de Scott Derrickson Sonhos de Trem, de Clint Bentley