Ney Latorraca durante uma das visitas ao Gapa-BS: carinho e defesa da entidade (Nirley Sena/AT/Arquivo) Um atributo bastante conhecido de Ney Latorraca, morto nesta quinta-feira (26), aos 80 anos, era a generosidade. Com fãs, artistas mais jovens e instituições. É o caso do Grupo de Apoio e Prevenção à Aids (Gapa-BS), que é destinatária, em testamento, de uma parte da herança deixada pelo ator. De acordo com a presidente, Nanci Alonso, o gesto é a marca de uma relação forte com o espaço. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A relação do Ney com o Gapa vem de muitos anos. A mãe dele pediu para que ele fizesse o Gapa como herdeiro dele. Ele me procurou e aí nós ficamos muito, muito amigos. Sempre que ele vinha a Santos, ele ia ao Gapa, e disso foi nascendo uma amizade, uma confiança”, explica Nanci, bastante emocionada com a perda. “Ele sempre falava da gente nos programas que participava. Era padrinho das crianças”. A presidente da instituição lembra que Ney Latorraca cedeu, ainda, seus direitos de imagem ao Gapa-BS, algo importante, especialmente em momentos de maior dificuldade financeira. “Ele ajudava com uma mensalidade todo mês. Veio a Santos, foi conversar com o prefeito, na época o Papa, sobre liberar uma emenda para o Gapa de R\$ 3 mil”, conta. Relação que transcende Nanci Alonso conta que a amizade com Ney Latorraca foi se fortalecendo ao longo do tempo. “Fomos mantendo sempre essa relação. Dele querendo saber das crianças, e a gente mandando fotos, trocando e-mails ou mensagens no WhatsApp. Em um Natal, enviamos a ele uma imagem de Santo Antônio, um artesanato, e ele disse que amou o presentinho”. A dor da perda do amigo é maior do que a gratidão pela herança deixada ao Gapa-BS. “Eu queria o Ney vivo, que estivesse aqui com a gente, nos apoiando. Mas Deus sabe o que faz. Nesse momento, o que menos importa para nós é esse testamento. O que importa é a perda de um amigo querido, de uma pessoa tão admirada, com o coração bondoso. Com todo aquele sarcasmo dele, conseguia ser maravilhoso. Sempre presente. Vou sentir muita falta das nossas conversas”, complementa a presidente.