Primeiro programa itinerante do ano, com a apresentadora Patrícia Poeta, foi realizado no Parque Municipal Roberto Mário Santini, em Santos (Alexsander Ferraz/AT) Se a vida é feita de encontros, um deles, na manhã desta segunda-feira (19), em Santos, provou ser especial. Parceria entre a TV Globo de São Paulo e a TV Tribuna, o programa comandado ao vivo por Patrícia Poeta, direto do Parque Municipal Roberto Mário Santini, foi um marco em vários níveis. Primeiro, estreou a edição de 2026 do Encontro Itinerante; segundo, emocionou o público e os convidados; por último, levou aos lares de todo o Brasil belezas e personagens de Santos, prestes a completar 480 anos, na próxima segunda-feira. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Foi lindo. Nós não paramos. Conheci muita gente interessante, inspiradora. Seo Chico, por exemplo, surfando aos 81 anos. A leveza da Cidade. E a qualidade de vida aqui é muito grande. Eu moraria aqui”, disse Patrícia, logo após o programa, sem esconder a emoção. Aliás, a emoção foi a tônica desse Encontro, em cada detalhe: das reportagens na Escola de Surf, no Posto 2, ao tradicional Zé do Coco, na orla do Canal 5, passando pelo Museu Pelé, com entrevista de José Macia, o Pepe, o Canhão da Vila, aos convidados, os músicos Vavá e Márcio, e o ator Alexandre Borges. Alexandre Borges foi homenageado no programa com depoimentos de parentes e amigos, que relembraram sua vida na cidade natal e sua carreira (Alexsander Ferraz/AT) “É muito especial (o programa aqui). Passa um filme na minha cabeça”, disse Alexandre antes do início do Encontro. “Voltei na pandemia, fiquei dois a três anos tomando conta da minha mãe. São muitas recordações em Santos. E nesta terça-feira (20) estou aqui, com a Patrícia”. No palco, Alexandre foi homenageado. Em uma volta ao passado, materializada no depoimento de parentes e amigos, lembraram-se o início da carreira no teatro e o trabalho com o pai, o também ator e ex-secretário de Cultura de Santos, Tanah Correa. Lembrou-se até de um verão, quando Alexandre vendeu sanduíche natural na praia. “Foi para ganhar um dinheirinho. Sempre quis ser independente. Tinha 17 anos”, recordou. “Santos é a minha existência. Em Santos, meu coração fica mais tranquilo, eu tô em casa. Acho que tem a ver com a idade, esse desejo de retornar às raízes”. Vavá e Márcio também resgataram histórias de Santos – além de assumirem a parte musical do programa, cantando sucessos do grupo Karametade (Alexsander Ferraz/AT) Água sanitária e jacaré Vavá e Márcio, conhecidos no País no grupo Karametade, abraçaram a parte musical. Também santistas, dividiram com o público memórias da Cidade. “Santos é tudo. O começo da carreira, nos bares daqui. Jogar bola na praia. E pegar onda”, relembrou Márcio. “Aqui em Santos o jovem logo quer uma prancha (de surfe)”. Até Alexandre Borges entrou nessa: no mar, pegou ‘jacaré’. Jacaré em água salgada? “É surfar deitado”, como bom santista, explicou para o Brasil. Se Alexandre Borges vendeu sanduíche natural na praia, Márcio circulava pelas ruas de Santos oferecendo água sanitária. “Passava ‘olha a cândida!’. Uma vez, uma senhora me parou e disse: ‘você tem a voz bonita. Devia ser cantor’. Eu nem imaginava...”. Sobre o Encontro especial em Santos, Vavá elogiou à Reportagem as escolhas do programa, que teve um outro olhar para a Cidade. “Santos não é só a praia, o futebol. É o cotidiano, o santista (mostrado no Encontro)”. Lugar perfeito Sair do estúdio a que se está habituado e montar uma estrutura adequada em outro lugar não é tarefa fácil. Após o programa, ainda sob o efeito da adrenalina, o diretor-geral do Encontro, Ariel Jacobowitz, disse que o maior desafio foi justamente esse: encontrar o lugar perfeito. O ponto escolhido então acabou sendo o Parque Municipal Roberto Mário Santini. “Tinha que ser um lugar que fosse característico de Santos e que também estivesse próximo das pessoas, na proposta do programa, que está até no nome: Encontro”, explicou. “Santos foi perfeita, um lugar lindo”. Ariel enalteceu a parceria com a TV Tribuna, que colaborou desde o início para a realização do programa, auxiliando a produção e a seleção das pautas. “As histórias têm que fazer sentido para o santista, serem características da Cidade, mas também precisam despertar o interesse das pessoas em qualquer lugar do Brasil”. O projeto Encontro Itinerante segue seu rumo, visitando uma cidade do País por mês. Em fevereiro, será no Rio de Janeiro; em março, é a vez de Foz do Iguaçu. O diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes, celebrou a parceria com a TV Globo de São Paulo. “É mais um marco para o Grupo Tribuna. A cada ano, tentamos viabilizar vários eventos desse porte, que também são maneiras de mostrar para o País a grandeza da nossa região. Neste caso em especial, de Santos, que vai completar 480 anos no dia 26. Então, ajudar a fazer esse Encontro especial foi motivo de alegria e orgulho para nós”. O público presente ao Parque Municipal Roberto Mário Santini foi parte fundamental do programa (Alexsander Ferraz/AT) Público: show à parte Se estar próximo das pessoas é um dos objetivos do Encontro Itinerante, o público não decepcionou – e fez a sua parte. Aliás, para muita gente, o desejo era justamente estar próximo do Encontro. Ou para ser mais exato, de Patrícia Poeta. Foi o caso de Rivaldete de Jesus Santos, de 59 anos, que saiu de Vicente de Carvalho, em Guarujá, às 6 horas. “Sou fã da Patrícia, acompanho desde que ela era correspondente”, diz. “Não perco um Encontro, mas é a primeira vez que vejo um programa assim, ao vivo”. Com o mesmo espírito, Fabrícia Amorim, de 46 anos, também foi ao Encontro. “Vim prestigiar a Patrícia, de quem sou muito fã. Tenho vontade de conhecê-la pessoalmente”. É possível que tenha conseguido: após o programa, com muita simpatia, a apresentadora recebeu para fotos e um abraço a todos do público que assim o desejaram. Sorte de Alice Dayoko, do Jardim Las Palmas, Guarujá, que foi ao Parque Municipal Roberto Mário Santini para rever Patrícia. “Em 2018, eu participei do É de Casa, quando ela apresentava, em um quadro de artesanato”. Artesã, à época, Alice trabalhava com acessórios; hoje, dedica-se à joalheria artesanal. “Meu carinho (pela Patrícia Poeta) aumentou muito e eu não podia deixar de tentar dar um beijo e um abraço nela”. Em tempo: Alice conseguiu o seu intento no final. Bom para Santos Já Eden Nascimento, de 62 anos, do Embaré, tinha uma razão, digamos, mais técnica para acompanhar ao vivo o programa. “Nunca estive em um estúdio de tevê. Quero ver como funciona a máquina”. E o que achou? “É muita gente, uma doideira, mas eu gostei”. Maria Helena Pessoa Pimentel, de 58 anos, do Gonzaga, achou muito boa a ideia de realizar o programa em Santos. “Especialmente pelo aniversário, divulgar ainda mais a beleza de Santos para o mundo”. Diego Lourenço, conhecido como MC Safa, do Marapé – “o melhor bairro de Santos”, como diz – foi conferir os parceiros Vavá e Márcio, que fazem uma participação na canção Enlouquecida (já nas plataformas). “Vim apoiar eles”. A roupa não nega: vestido a caráter com camisa e boné alvinegros, é torcedor do Santos. “Sou vice-presidente da organizada Camisa 10”. Será que o Peixe engrena este ano? “O Santos faz a gente sofrer, mas quem tem fé, nunca pode desacreditar”. No futebol e na vida.