Diarreias, infecções e viroses ficam mais comuns no verão, especialmente entre crianças (FreePik) Com a chegada do verão, os dias mais quentes trazem também um alerta importante para os pais: o aumento das doenças que atingem as crianças nessa época do ano. A combinação de altas temperaturas, maior circulação de pessoas, viagens e alimentação fora de casa cria um cenário propício para infecções sazonais, especialmente entre os pequenos, que desidratam mais rápido e têm maior vulnerabilidade aos efeitos do calor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A infectologista pediátrica Carolina Brites explica que as infecções gastrointestinais estão no topo das preocupações nos meses mais quentes. “As crianças ficam mais expostas a situações que favorecem diarreias e vômitos, como alimentação fora de casa e água contaminada. O calor acelera a proliferação de microrganismos e aumenta o risco de quadros agudos”, afirma. Ela reforça que cuidados simples ajudam bastante: checar a procedência dos alimentos, garantir que a garrafinha está bem vedada e, sempre que possível, priorizar água filtrada de casa. “Pequenos detalhes fazem diferença”, diz. Além dos problemas gastrointestinais, o calor também favorece doenças de pele, como impetigo e micoses. “O suor excessivo e a permanência prolongada de roupas úmidas criam um ambiente ideal para infecções cutâneas, especialmente nos bebês e nas crianças menores”, explica a médica. Depois do mar ou da piscina, vale reforçar o cuidado: secar bem o corpo e as dobras, trocar a roupa úmida e deixar os pés sempre arejados. Os ambientes compartilhados do verão — praias, clubes e piscinas — também aumentam o risco de otites externas e conjuntivites, que têm alta transmissibilidade. “A água contaminada pode desencadear desde infecções de ouvido até conjuntivites virais. Em locais com grande circulação, o risco cresce ainda mais”. Crianças que já fazem aula de natação costumam controlar melhor a entrada da água no ouvido, mas isso não elimina a necessidade de atenção. A prevenção, segundo a infectologista, começa com o básico e é altamente eficaz. “Oferecer água filtrada, cuidar da higiene das mãos e evitar alimentos expostos ao calor reduzem expressivamente os casos de gastroenterite”, orienta a pediatra. Ela reforça também que manter o calendário vacinal em dia, especialmente com as doses contra rotavírus e hepatite A, é fundamental para diminuir quadros graves. A hidratação merece cuidado especial. A médica lembra que a criança nem sempre pede água ou avisa quando está com sede. “Em dias de muito calor, é preciso oferecer, insistir. A hidratação é um dos pontos mais importantes para evitar internações”. Água, água de coco e sucos naturais são boas opções. Quando é hora de procurar ajuda? Alguns sintomas funcionam como sinal de alerta: febre persistente, vômitos repetidos, diarreia com sangue, irritação ocular intensa ou lesões de pele que aumentam rapidamente. “Mesmo que muitos quadros sejam leves, a desidratação pode acontecer de forma muito rápida nas crianças. O ideal é não esperar demais para buscar avaliação médica”, orienta Carolina Brites.