A sala de estar é, para muitos, o coração da casa. Geralmente, é nesse espaço que a família se reúne, os convidados são recebidos e os moradores relaxam no dia a dia. Por isso, sua configuração vai muito além da simples disposição de móveis: envolve escolhas de layout, iluminação, materiais, texturas, cores e elementos de design que expressam o estilo de vida de quem ali mora. Mas como esse conjunto é elaborado na arquitetura de interiores? Para o arquiteto Raphael Wittmann, o layout é o ponto de partida. Segundo o profissional, a configuração da sala começa pela análise do espaço disponível, considerando a lista de móveis que irão compor o ambiente. Além disso, alguns itens não podem faltar e Raphael fala sobre eles ao domingo+. Proporção O arquiteto enfatiza que a sintonia nesse conjunto deve respeitar proporção e escala. Um sofá demasiadamente grande em uma sala compacta gera sensação de aperto, enquanto móveis pequenos demais em áreas amplas denotam a percepção de vazio. “Sem esse caminho do meio, a harmonia e o acolhimento se perdem”. O profissional também chama atenção para o formato dos ambientes: salas quadradas permitem layouts simétricos, enquanto as retangulares pedem soluções lineares. Já em áreas compactas, um sofá reto, acompanhado de poltronas soltas pode resolver o conforto sem sacrificar a circulação. “Não adianta apenas pensar na estética, a configuração precisa respeitar a rotina dos moradores para ser, de fato, funcional”. Iluminação É claro que a iluminação natural é sempre bem-vinda para um estar, mas apostar em uma combinação com fontes de luz artificiais garante versatilidade ao espaço. Para Raphael, é possível combinar um plafon central que distribui a luz de forma uniforme, enquanto luminárias de piso ou abajures inserem luz para momentos de descanso. Ele ainda destaca que a luminotécnica deve dialogar com o décor. “A luz precisa contar uma história junto com os móveis e revestimentos. Uma iluminação bem projetada transforma completamente a percepção do ambiente”. Ele também recomenda as luzes indiretas: “Aquela iluminação no teto cheio de spots já está ultrapassada. Invista nas luzes indiretas, como abajures, pendentes e arandelas para criar um espaço mais acolhedor e confortável”. Integração com outros espaços A amplitude gerada pela integração de ambientes é muito valorizada hoje em dia. A conexão da sala de estar com outros ambientes, como sala de TV, varanda, cozinha e até gourmet e quintal, valoriza o espaço de convivência devido à sensação de leveza e continuidade. Em projetos contemporâneos, a ligação direta com a varanda é um recurso bastante valorizado. Painéis de vidro, por exemplo, permitem que a luz natural adentre a sala, além de trazer maior conexão entre o exterior e o interior, valorizando a vista e o paisagismo. Em geral, Raphael pontua que tons neutros como bege, cinza e off-white sempre funcionam como bases leves, enquanto cores intensas podem aparecer em pontos estratégicos como almofadas ou quadros. O arquiteto sugere ainda a valorização de texturas presentes na madeira, linho, couro e veludo como estratégias para entregar camadas visuais e táteis. “O uso inteligente delas é o que dá alma à sala de estar. Muitas vezes, uma composição simples, mas bem escolhida, transmite mais que uma decoração carregada de informações”. Pontos focais criativos Embora, muitas vezes, a TV esteja presente na sala de estar, ela não necessariamente precisa ser o ponto de atenção. O incremento de uma lareira, uma adega ou um canto de leitura são possibilidades complementares aos projetos. Entretanto, a decoração e os livros são o que conectam a sala à vida de quem mora ali. Quadros, fotografias, esculturas e lembranças de viagens transformam o espaço em narrativas de vidas. Além disso, a presença de plantas favorece o frescor e a vitalidade, ajudando na qualidade do ar.