Será que pular refeições, fazer jejum ou tentar compensar os abusos realmente funciona? (AdobeStock) Com a chegada das festas de fim de ano, é comum surgir a preocupação com exageros à mesa. Mas será que pular refeições, fazer jejum ou tentar compensar os abusos realmente funciona? A nutricionista Tatiana Pimentel orienta sobre as escolhas mais inteligentes para atravessar o Natal e o Réveillon com mais saúde e menos culpa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Qual o erro mais comum que as pessoas cometem nos dias que antecedem as ceias de Natal e Réveillon? É pular refeições ou fazer grandes restrições alimentares antes da ceia. Essa estratégia aumenta o estresse metabólico, eleva o cortisol e desregula os hormônios da fome e da saciedade, como a grelina e a leptina. O resultado costuma ser o oposto do esperado: mais compulsão alimentar, escolhas impulsivas e maior desconforto digestivo durante e após a ceia. O que é recomendado comer no café da manhã e no almoço do dia da festa para chegar à ceia com menos fome e mais equilíbrio metabólico? O ideal é manter refeições leves, nutritivas e ricas em proteína. No café da manhã, por exemplo, boas opções incluem ovos, iogurte natural, frutas com fibras e sementes ou um smoothie proteico. No almoço, deve-se priorizar proteína magra, vegetais variados e uma pequena porção de carboidratos de boa qualidade e, de preferência, de baixo índice glicêmico, como batata-doce, arroz integral e abóbora. Essa combinação ajuda a manter a glicemia estável, reduz a fome exagerada à noite e favorece um melhor controle alimentar na ceia. Jejum antes da ceia ou no dia seguinte ajuda ou atrapalha o controle alimentar? Por quê? Depende. Se a pessoa já estiver acostumada a praticá-lo, pode manter. Mas, na maioria dos casos, pode atrapalhar, pois o jejum feito de forma compensatória aumenta o risco de novos exageros. Após uma ceia mais pesada, o organismo precisa de refeições leves e boa hidratação. Uma alimentação equilibrada no dia seguinte costuma ser muito mais eficaz do que jejuns prolongados. Na mesa de Natal ou Réveillon, o que faz mais diferença para a saúde: o tipo de prato, a quantidade ou a combinação dos alimentos? Os três fatores importam, mas, na prática, a combinação e a quantidade fazem mais diferença. Associar proteína, fibras e gordura boa ajuda a reduzir picos glicêmicos, melhora a saciedade e diminui o impacto metabólico da refeição. É possível comer de tudo um pouco, desde que haja equilíbrio e consciência na montagem do prato. Entre carnes, acompanhamentos e sobremesas, o que você orienta priorizar e o que deve ser consumido com mais moderação? A prioridade deve ser de proteínas de boa qualidade, como aves, peixes ou carnes, acompanhadas de vegetais. Acompanhamentos ricos em farinhas refinadas, açúcares e molhos pesados devem ser consumidos com moderação. As sobremesas podem fazer parte, mas o ideal é escolher apenas uma opção, em porção pequena. Existe uma forma mais inteligente de consumir bebidas alcoólicas sem prejudicar tanto o fígado, o intestino e a hidratação? Sim. A principal estratégia é apostar na moderação e na hidratação. Intercalar bebidas alcoólicas com água, evitar beber em jejum e preferir doses menores ajuda a reduzir o impacto negativo no organismo. Comer devagar realmente ajuda a evitar exageros? Ajuda, e muito. Comer devagar permite que o organismo ative os sinais de saciedade de forma adequada. Quando comemos muito rápido, o cérebro não consegue acompanhar o volume ingerido, o que favorece excessos e desconforto digestivo. A atenção plena à refeição é uma ferramenta simples e extremamente eficaz. Nos dias seguintes às ceias, o que ajuda de verdade o organismo a se recuperar dos excessos sem recorrer a dietas restritivas? Hidratação adequada, refeições leves, ricas em vegetais, proteínas e alimentos anti-inflamatórios. Exercício físico, sono de qualidade e redução do consumo de ultraprocessados também ajudam o fígado e o intestino a se equilibrarem naturalmente. Detox funciona? Se sim, o que seria um detox saudável do ponto de vista nutricional? O corpo já possui sistemas naturais de detoxificação, principalmente o fígado. Um detox saudável não envolve restrições extremas, e sim alimentação natural, boa hidratação, fibras, proteínas adequadas e redução do consumo de álcool, açúcar e ultraprocessados. Um exemplo simples é o suco de couve, limão, gengibre e maçã ou pepino, que auxilia no processo de eliminação de toxinas do corpo. Alimentos como vegetais verde-escuros, brócolis, frutas cítricas, sementes, gengibre e cúrcuma também favorecem esse processo de forma equilibrada. Quais sinais do corpo que mostram que os excessos estão afetando a saúde e que é hora de mudar o ritmo alimentar? Inchaço, má digestão, refluxo, fadiga, dores de cabeça e alterações intestinais são sinais comuns. Quando esses sintomas se tornam frequentes, o corpo está pedindo mais cuidado, equilíbrio e qualidade nutricional, com comida de verdade. *Claudia Duarte Cunha é jornalista especialista em saúde.