Monique Alfradique (Henrique Tarricone/Divulgação) Após mais de duas décadas de carreira, Monique Alfradique, 39 anos, vive um momento de expansão. A atriz, que o público acompanha diariamente em Êta Mundo Melhor! (TV Globo), também vem se destaca como apresentadora e coprodutora, assumindo o protagonismo não apenas diante das câmeras, mas também nos bastidores. Entre o humor afiado de Crush Animal (Multishow/Globoplay), o olhar sensorial de Beach Life (Canal E!) e a intensidade das novelas, Monique constrói uma trajetória cada vez mais autoral, guiada pelo desejo de contar histórias que façam sentido, provoquem identificação e reflitam quem ela é hoje. Ao domingo+, ela fala sobre reinvenção, liberdade criativa, personagens cheios de camadas e os sonhos que seguem em movimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Depois de mais de 20 anos como atriz, o que mais te surpreendeu ao assumir também os papéis de apresentadora e coprodutora? Eu adoro a possibilidade que o trabalho artístico me proporciona de atuar em diferentes segmentos e formatos. Quando apresentei o reality Mestre do Sabor, em 2020, amei a experiência de me ver nesse novo papel mais próxima de quem eu sou, mostrando minha personalidade. Acredito que mostrar mais de mim, me surpreendeu positivamente, porque tive um retorno muito legal do público, que passou a me ver de outro jeito. Contar histórias e interagir com o público sempre fizeram parte de mim, e estar nesse lugar como apresentadora e coprodutora representa a realização de um sonho antigo. Você costuma dizer que buscava projetos que realmente fizessem sentido para a sua trajetória. Em que momento percebeu que precisava assumir a produção para isso acontecer? Sempre gostei de me comunicar, de conduzir histórias e de interagir com o público, então explorar esse lado do entretenimento sempre foi algo muito natural para mim. Com o tempo, percebi que, para desenvolver projetos que realmente refletissem quem eu sou e o que acredito, seria importante assumir também a produção, e não apenas esperar por convites. Eu tenho esse lado mais realizador, sabe, de correr atrás. Esse é um desafio completamente novo, mas muito estimulante. Além de apresentar, estar envolvida como cocriadora em Crush Animal, por exemplo, me trouxe mais liberdade para imprimir minha personalidade, assim como conseguir trazer um pouco do que acredito em Beach Life, algo que sempre quis fazer. Crush Animal mistura humor, comportamento animal e relacionamentos humanos. O que mais te diverte ao observar essas comparações? Acredito que quase tudo. Quando eu e a Andrea Batitucci, minha parceira incrível nessa criação, começamos a desenvolver o projeto, a ideia de usar o comportamento amoroso dos animais como metáfora para os nossos próprios relacionamentos parecia, a princípio, apenas curiosa e divertida. Mas, à medida que fomos nos aprofundando, percebemos o quanto essa analogia é rica e reveladora. Os rituais de conquista, as formas de se proteger, de demonstrar afeto, tudo isso existe no mundo animal e, de alguma maneira, reflete também o nosso jeito de amar. Cada fantasia representa instintos e traços de personalidade que todo mundo reconhece: o carente, o competitivo, o sedutor, o tímido. Ver isso retratado de forma lúdica é instigante e, ao mesmo tempo, muito humano. No fim das contas, tudo gira em torno de um desejo universal: se conectar, ser visto e ser aceito. Já em Beach Life, o olhar é mais documental e sensorial. O que as praias cariocas revelam sobre o Brasil que muita gente ainda não enxerga? As praias cariocas são essenciais para lembrar que o Rio de Janeiro continua sendo uma cidade de belezas naturais, cultura, gastronomia local e um povo vibrante, alegre e acolhedor. Mostrar esse lado é importante para resgatar o orgulho carioca e manter viva a esperança de tempos melhores. Trabalhar com uma equipe majoritariamente feminina mudou sua forma de criar e conduzir projetos? Em Crush Animal, contamos com uma equipe de direção e produção majoritariamente feminina. Dividir o processo criativo com Andrea Batitucci e a talentosa Carol Durão tem sido uma experiência extremamente enriquecedora. Essa troca faz toda a diferença no olhar, na sensibilidade e até na maneira como o ambiente de trabalho se constrói no dia a dia. Ver mulheres comandando, decidindo e criando é inspirador e reforça que o mercado audiovisual está, aos poucos, se transformando. O público também está mais atento e deseja ver essas mudanças refletidas nas telas. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas é bonito perceber que estamos ajudando a construir um audiovisual mais equilibrado, diverso e com espaço real para todas as vozes. Entre os bastidores de dois programas e a rotina de gravações da novela, como você equilibra essas diferentes linguagens e demandas criativas? Na verdade, os programas foram gravados antes da novela, o que me permitiu conciliar os projetos de forma tranquila. Ainda assim, cada trabalho exige um estado de espírito completamente diferente. Na apresentação, preciso estar presente o tempo todo, conduzindo o ritmo do programa, acolhendo os convidados e sendo genuinamente eu mesma. Já na novela, especialmente ao viver a Tamires, uma personagem cheia de nuances e reviravoltas, entro em um processo mais profundo de construção, lidando com emoções, conflitos e camadas internas. Acredito que o segredo está na preparação e, principalmente, em me permitir estar inteira e disponível em cada momento criativo. Vivendo a Tamires em Êta Mundo Melhor! e, ao mesmo tempo, comandando atrações próprias, que tipo de artista a Monique de hoje quer ser e o que ainda sonha em realizar? Eu sou uma pessoa que está sempre sonhando e planejando o próximo passo, mas também aprendi a curtir o caminho. Quero continuar crescendo como artista, explorando novas linguagens e projetos que me desafiem, tanto na atuação quanto na apresentação e produção. Acho que o futuro é sobre isso: continuar me reinventando, com leveza e verdade. Em Êta Mundo Melhor!, você vive a Tamires, uma personagem cheia de camadas e reviravoltas. O que mais te atraiu nela e como foi entrar nesse universo criado por Walcyr Carrasco, Mauro Wilson e Amora Mautner? Com certeza, a princípio a força do texto do Walcyr Carrasco. Ele escreve personagens femininas muito interessantes, com camadas, personalidade, reviravolta. E a Tamires, minha personagem, tem tudo isso. A novela possui esse poder de entrar na casa das pessoas todos os dias, de fazer parte da rotina do público, e isso me encanta. É um projeto leve, com humor, emoção e uma história que vem conquistando o coração do brasileiro. Estou feliz demais! O que a Monique gosta de fazer no tempo livre? Eu gosto de desacelerar e me reconectar comigo mesma. Amo cuidar do corpo e da mente, treinar, praticar ioga, estar em contato com a natureza, viajar. Também valorizo muito estar com a família e os amigos, ouvir música, assistir a bons filmes e séries. São esses momentos simples, mas cheios de afeto, que me recarregam e me ajudam a manter o equilíbrio em meio à rotina intensa de trabalho.