(Adobe Stock) Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o tabaco mata mais de oito milhões de pessoas por ano no mundo todo. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 9,3% dos adultos com mais de 18 anos são fumantes. O que nem todos sabem é que os efeitos do tabagismo são diferentes entre homens e mulheres. O cigarro tem impactos distintos na saúde feminina, acentuando uma série de problemas. Ciro Kirchenchtejn, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que o tabagismo tem evolução específica voltada para pacientes do sexo feminino. “Desde o final do século 19, a indústria do tabaco desenvolveu campanhas publicitárias distintas para homens e mulheres. Para os homens, o marketing associava o cigarro a sucesso e virilidade, enquanto que, para as mulheres, os cigarros eram promovidos como forma de emagrecimento e sofisticação”, lembra o especialista. De acordo com o pneumologista, o tabagismo feminino resulta em maior prevalência de certas doenças. “Embora homens e mulheres compartilhem doenças comuns associadas ao tabagismo, as mulheres têm maior propensão a desenvolver câncer de pulmão, além de doenças específicas do aparelho reprodutivo”, explica o especialista. As diferenças biológicas tornam as mulheres mais suscetíveis a certos problemas de saúde relacionados ao tabagismo, segundo o especialista. “Elas metabolizam a nicotina de forma diferente, devido aos efeitos do estrógeno, o que pode resultar em uma maior produção de nitrosaminas, substâncias cancerígenas presentes no cigarro”. Questões emocionais e comportamentais também afetam o modo como as mulheres lidam com o ato de fumar. O especialista enfatiza a importância de abordar a dependência psicológica, além da física, no processo de cessação do tabagismo. “Programas com esse fim devem incluir terapia cognitivo-comportamental para ajudar as pessoas a lidarem com os gatilhos emocionais e comportamentais que levam ao tabagismo”. Procure ajuda Buscar ajuda profissional é muito importante para ter êxito na tentativa de parar de fumar. “Embora seja possível parar de fumar sozinho, a maioria das pessoas precisa de ajuda especializada. Programas estruturados e acompanhamento profissional aumentam significativamente as chances de sucesso”, comenta o especialista. O pneumologista acrescenta que, além do cigarro convencional, os eletrônicos – conhecidos como vapes, pod, pendrive, caneta, entre outros nomes – também fazem mal à saúde. “Os cigarros eletrônicos, muitas vezes, contêm mais nicotina do que os cigarros tradicionais e são frequentemente direcionados a jovens e grupos vulneráveis. Ele também menciona os riscos ambientais e legais associados ao uso desses produtos que, muitas vezes, são adquiridos de forma irregular e contribuem para a poluição com metais pesados. Substâncias As substâncias usadas nesses aparelhos podem causar tanto mal quanto o cigarro comum quando vaporizadas e inaladas. Como eles contêm concentrações altíssimas de nicotina, muitas vezes transformada para se tornar mais rapidamente absorvida, o dispositivo eletrônico torna o ato de fumar altamente viciante. Em gestantes o efeito é ainda mais prejudicial. Gravidez e cigarro é uma combinação perigosíssima para a mulher e o bebê. Nunca é demais reforçar o alerta à sociedade. O especialista ressalta que mulheres fumantes enfrentam riscos adicionais durante a gravidez, como parto prematuro, baixo peso do bebê ao nascer e complicações que afetam tanto a mãe quanto a criança. “Se uma mulher deseja engravidar, o ideal é parar de fumar antes mesmo de tentar conceber o bebê. Contudo, parar de fumar para melhorar a saúde em geral é uma escolha benéfica a qualquer momento”, finaliza.