Parque temático da Lego na Dinamarca atrai turistas do mundo todo ao país europeu (Olrat - stock.adobe.com) A Lego é um daqueles raros casos em que um brinquedo deixa de ser apenas um produto e se transforma em cultura, memória afetiva e experiência. Mas o que muita gente não sabe é que, no início dos anos 2000, a empresa esteve muito perto da falência. Vendas em queda, linhas malsucedidas e uma expansão desordenada colocaram o grupo dinamarquês em sua pior crise. Parecia impossível que os famosos blocos coloridos, que marcaram gerações, resistissem à era dos videogames. Foi então que a Lego fez algo simples e revolucionário: voltou às origens, focou no que sabia fazer de melhor – criatividade – e reinventou seu próprio universo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A reviravolta começou quando a companhia simplificou a produção, reduziu peças desnecessárias, relançou clássicos, investiu pesado em storytelling e criou parcerias com franquias globais como Star Wars, Harry Potter e Marvel. O resultado foi imediato: uma marca revitalizada, com apelo tanto para crianças quanto para adultos colecionadores. Mas o passo seguinte seria ainda maior. A Lego percebeu que seu poder não estava apenas nos brinquedos, mas no imaginário que eles despertavam. E foi assim que nasceu o conceito que mudaria tudo: transformar a Lego em destino turístico. Hoje, os parques Legoland são um fenômeno mundial. Existem unidades na Dinamarca (Billund), onde tudo começou, Alemanha, Reino Unido (Windsor), Estados Unidos (Califórnia, Flórida e Nova Iorque), Emirados Árabes Unidos (Dubai), Malásia, Japão, Coreia do Sul e China, que ganhou duas unidades em 2025 (Shangai e Sichuan). E há mais no caminho, porque a fórmula se mostrou irresistível: parques inteiros construídos com estética Lego, atrações que combinam tecnologia e nostalgia e áreas temáticas que encantam visitantes de todas as idades. O grande segredo da Legoland é justamente esse: ela não é um parque infantil, mas um parque familiar. Crianças pequenas se encantam com os brinquedos acessíveis, coloridos e menos radicais. Já os adultos revivem memórias da infância - e muitos, mesmo sem assumir, se emocionam ao ver cidades inteiras recriadas em blocos. Essa área, chamada Miniland, é o coração de todos os parques. Réplicas de monumentos famosos – como o Parlamento inglês, o Taj Mahal, o skyline de Nova Iorque ou o Burj Khalifa – são construídas com milhões de peças e animadas por luzes e mecanismos que dão vida ao cenário. É uma obra de arte que merece ser observada com calma. Além de Miniland, os parques têm atrações inspiradas nos desenhos Ninjago, DreamZzz e no filme Uma Aventura Lego. Em algumas localidades, a Lego criou também parques aquáticos temáticos, ideais para famílias com crianças de até 10 anos de idade. Na Dinamarca, a experiência é ainda mais especial, por estar ao lado da sede da empresa e do Lego House, um museu-imersão sobre criatividade. Os hotéis oficiais são outro grande destaque. Totalmente temáticos, eles transformam a hospedagem em parte da experiência: camas que parecem castelos, caças ao tesouro nos quartos, paredes inteiras decoradas com peças e personagens, playgrounds gigantes e atividades noturnas para crianças. São hotéis pensados para fazer a imaginação continuar mesmo depois do parque fechar. Mas, além de parques e hotéis, a Lego criou algo mais profundo: um universo unificado que mistura brinquedos, filmes, séries, experiências, educação e turismo. A marca deixou de ser um fabricante de blocos para se tornar um grupo global de entretenimento. E essa é a parte mais fascinante da história: a empresa que quase desapareceu se reinventou e virou sinônimo de criatividade, tecnologia e diversão compartilhada. No fim das contas, visitar um parque Legoland é muito mais do que andar em brinquedos. É entrar em um mundo onde tudo é possível, onde peças simples se transformam em cidades inteiras e onde adultos e crianças compartilham o mesmo encantamento. É a prova viva de que brincar não tem idade – e que a imaginação, quando bem cuidada, pode literalmente construir um império.