Protagonista em Dona de Mim, o paulistano Humberto Morais, 31 anos, vive um momento importante na carreira. Intenso, inquieto e guiado por um senso profundo de representatividade, ele dá vida a Marlon — um policial idealista e lutador de kickboxing que vem crescendo em camadas, conflitos e humanidade na novela da Globo. Entre treinos diários, consultorias com policiais, gravações volumosas e um ritmo que não permite respirar, Humberto diz que ainda está “correndo atrás do personagem”, que a cada cena se revela um novo desafio. Formado pela Escola de Atores Wolf Maya e com passagens marcantes por Sutura (Prime Video) e DNA do Crime (Netflix), o ator combina trajetória múltipla, carisma e uma consciência afiada sobre seu papel no mundo: ser referência para jovens negros. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Seu personagem Marlon vem ganhando cada vez mais camadas e conflitos, especialmente com a vida policial e a relação com a Leona. O que mais tem te surpreendido nesse processo de construção? Acho que o que mais me surpreende é a entrega de toda a equipe em um projeto que tem um volume muito grande de gravações e mesmo assim, ninguém trabalha no automático. Todos atentos e focados em entrega o melhor que pudermos. Eu fiz e faço preparação para as lutas até hoje e tivemos ótimos consultores da polícia. mas eu sinto que ainda tô correndo atrás do Marlon, cada hora ele me apresenta um desafio novo. Você fala muito sobre representatividade e sobre ser uma referência para jovens negros. De que forma esse compromisso interfere — ou impulsiona — suas escolhas como artista? “Jovens negros” é o argumento do projeto Humberto Morais. Todo o meu artista vibra nesse sentido no momento. Antes da novela, você já tinha construído personagens fortes em séries como Sutura e DNA do Crime. Como essas experiências no streaming prepararam você para protagonizar uma novela da Globo? Meus outros trabalhos me ensinaram tudo, a construir uma curva dramática coerente, que o personagem nasce da relação com o outro e muitas coisas importantes sobre construção de personagem. Porém nada te prepara para uma novela. É muito diferente pelo fato de ser uma obra aberta. Então, agora depois da novela, eu me sinto um ator muito mais preparado para muitos desafios. Sua trajetória começa na música, passa pelo teatro, pela moda e chega ao audiovisual. O que cada uma dessas linguagens despertou em você e como elas aparecem hoje na sua atuação? Ouvi uma frase há um tempo atrás e ela se encaixa muito bem aqui. “Tudo que eu achava que era vida era ensaio.” Tudo me preparou e me prepara dentro da minha profissão. Você migrou para o audiovisual durante a pandemia, um momento de grandes incertezas. O que te manteve firme na decisão de seguir e acreditar nesse caminho? Os trabalhos foram aparecendo (risos). Nas redes sociais, você compartilha skate, praia, moda… Você gosta de partilhar seu dia a dia com o público? O que gosta nessa troca? Eu gosto pelo fato de as pessoas saberem quem é o Humberto além dos personagens. Marlon tem crescido muito na trama, especialmente com temas delicados, como ética policial e relacionamentos frágeis. Como você se prepara emocionalmente para papéis que mexem tanto com o público? Eu me agarro na verdade dos meus parceiros, me jogo com eles. Tudo está na relação. Tony Ramos falou para gente uma vez sobre o respeito de entrar na casa das pessoas. Então em respeito ao público eu tento dar toda minha verdade.