(Adobe Stock) A sensação de cansaço que não passa, o sono que não repara e a irritabilidade fora do comum nem sempre são apenas reflexos de uma rotina atribulada. Esses sinais podem indicar um quadro de estresse crônico — condição cada vez mais comum e que impacta diretamente o funcionamento do organismo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a médica endocrinologista Jacy Alves, o estresse contínuo interfere no equilíbrio hormonal e compromete diversos sistemas do corpo. “O estresse crônico desregula os eixos hormonais, especialmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com efeitos que vão da imunidade à produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina”, explica. Destaque da revista científica do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), a especialista abordou os efeitos fisiológicos do estresse de forma ampla, ressaltando que seus impactos vão muito além do desgaste emocional. Quando deixa de ser pontual e se torna constante, o estresse pode se manifestar com sintomas como insônia, fadiga persistente, alterações de peso, distúrbios gastrointestinais, dores de cabeça recorrentes e queda de cabelo. “O estresse contínuo interfere na sensibilidade à insulina, favorecendo o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Há também impacto direto sobre a função tireoidiana, que pode ser suprimida ou exacerbada, dependendo da predisposição da pessoa”. Em situações de estresse prolongado, o organismo mantém níveis elevados de cortisol, hormônio que, em excesso, prejudica o metabolismo, o sono, a memória, a concentração e a libido. “Esse estado de alerta constante afeta a regulação hormonal e a produção de neurotransmissores responsáveis pelo humor, pelo apetite e pela energia, contribuindo para quadros de ansiedade e depressão”, afirma a médica. A relação entre saúde mental e saúde endócrina, reforça a especialista, é indissociável. Por isso, a medicina tem adotado abordagens cada vez mais integradas no cuidado ao paciente. “Reconhecer os sinais precocemente e buscar apoio é fundamental para evitar o agravamento de disfunções hormonais relacionadas ao estresse. Isso inclui atividade física regular, acompanhamento psicológico e mudanças consistentes no estilo de vida”. Para a médica Jacy Alves, o controle do estresse deve ser encarado como uma estratégia de prevenção e longevidade. “Quando falamos em envelhecer com saúde, falamos de escolhas diárias. O estresse precisa ser tratado como uma questão de saúde pública — porque ele é”. Sinais de alerta do estresse crônico - Cansaço persistente, mesmo após períodos de descanso - Sono não reparador ou dificuldade para dormir - Irritabilidade e alterações de humor fora do padrão habitual - Dificuldade de concentração e lapsos de memória - Ansiedade constante ou sensação de alerta permanente - Alterações de peso sem mudança aparente na alimentação - Queda de cabelo e enfraquecimento dos fios - Dores de cabeça frequentes - Distúrbios gastrointestinais, como azia, constipação ou diarreia - Redução da libido - Baixa imunidade, com infecções recorrentes