(Anthony Tran/ Unsplash) Vem chegando a data mais querida do ano! Será? Apesar do clima de Natal pregar alegria, paz e união, para muitas pessoas é uma noite de climão. Há quem ache a socialização natalina em família desconfortável e até gatilho para emoções complicadas. O bullying familiar é o prato principal nas festas de fim de ano de muita gente. Não é aquela briga que faz o peru e a farofa voarem pela sala de jantar. É sutil. É, tantas vezes, disfarçado de querer bem. E realmente tem quem acredite que está fazendo um bem ao dar opinião onde não foi chamado. Então, para você não ser essa pessoa desaplaudida, eu vou te educar para este Natal. Comece assistindo a nova propaganda da marca O Boticário. Você encontra no YouTube. Com o slogan “Palavras deixam marcas, que sejam apenas de amor”, a campanha conta a história de uma jovem alvo de comentários gordofóbicos desde a infância, o impacto em sua autoestima e o medo que passou a sentir de participar da reunião familiar. É bom lembrar que nem sempre sabemos o que o outro está enfrentando no momento. Um comentário deslocado sobre algo que já o machuca intimamente amplifica traumas, tristezas e temores os mais diversos. O curta emociona. Mais ainda quando descobrimos que foi baseado em uma pesquisa reveladora: 86% dos brasileiros já sofreram bullying familiar. Impressiona porque é a prova de que a maior parte das pessoas se entende no direito de machucar aqueles a quem deveria amar. Nossa cultura de agressividade contamina até as relações próximas. A violência verbal e a violência psicológica são extremamente danosas e deixam lembranças para o resto da vida. Há quem nunca mais seja capaz de confiar, de acreditar que histórias podem ser livres de interesses e acompanhadas de cuidados sinceros. A propaganda traz também a mensagem de diálogo e reconciliação — isso sim tem cara de espírito natalino, hein? Que tal focar no carinho, na conversa com empatia, em deixar umas verdades pra lá e criar memórias positivas? Vamos fazer uma listinha aqui do que não é da sua conta criticar e/ou perguntar? Vamos! Corpo, cabelo, estado civil, quando e se vai casar, quando e se vai ter filhos, quando terá o próximo filho (acrescente seu item). Vamos fazer outra lista sobre o que ninguém quer saber de você se gabando? Vamos! Promoção no emprego, seu carro mais caro do que o do primo, quanto esbanjou na última viagem (mesmo que esteja inadimplente), o tamanho da sua maravilhosidade e perfeição como ser humano impecável (cheio de poréns para esconder). E, por favor, não transforme o bate-papo em monólogo dominador. Faça a opção de perguntar ao seu interlocutor como estão as coisas e escute ativamente. Se a pessoa quiser dividir com você algum assunto mais delicado ou que a incomode, sentindo confiança, ela o fará. Os temas difíceis e mesmo as conquistas não precisam ficar de fora da troca de ideias durante a festa. Mas dê espaço ao outro. Acolha ou celebre o que dividem com você. Não queira ser a cereja do enfeite do chester nem a uva passa no arroz. Acima de tudo, expresse o amar. P.S.: Na linda canção Beautiful, que inclusive embala a campanha de O Boticário, a cantora Christina Aguilera nos lembra que somos bonitos em todos os sentidos, palavras não podem nos derrubar.