O santuário visitado se chama Elephant Rescue Park, conhecido também como Nature Park (Arquivo Pessoal) Vinte quatro graus, sol e céu azul. O caminho era emoldurado por montanhas, árvores exuberantes e o rio que corta a cidade tailandesa de Chiang Mai – a segunda maior do país, só atrás da capital Bangkok, de onde cheguei um dia antes. Pela estrada, parecida com a Via Anchieta na Serra do Mar, segui naquela manhã da segunda semana de janeiro para ver de perto uma das cenas que mais desejei na vida. Depois de uma hora na van com outros viajantes de Portugal, França, México e Hungria, encontrei o santuário que é a casa de uma das espécies mais inteligentes, inclusive emocionalmente, que a natureza presenteou a este mundo: os elefantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Vestimos uniformes e recebemos uma aula sobre o maior mamífero terrestre, além de orientações sobre os limites na interação. E lá foi o grupo de turistas, carregando cestas de bananas, encontrar os donos do pedaço. Prendi a respiração alguns segundos, tamanha a emoção, ao vê-los. Sorri. Lindos. Balançando as trombas de um lado para o outro, batendo os orelhões, aguardavam o café da manhã. Recebemos mais orientações sobre os limites da interação. Entregar bananas, uma por vez, para cada elefante, é uma maneira deles conhecerem as pessoas que chegam. Ao sentir nosso cheiro e olhar nos nossos olhos, enquanto entregamos algo que gostam (as bananas) entendem que podem confiar e, mais tarde, permitem nossa presença na caminhada matinal. O santuário que visitei se chama Elephant Rescue Park, conhecido também como Nature Park. Resgata elefantes abandonados depois de serem explorados para trabalho, quando ficam doentes e velhinhos. Também resgata elefantinhos órfãos. É reconhecido por tratar os animais com respeito e ética. Isso é importante porque, infelizmente, há muitos lugares nos países do Sudeste Asiático em que elefantes sofrem maus tratos para fazer truques e gracinhas que entretêm turistas. É fundamental se informar para não fomentar esse tipo de exploração. Vale dizer: montar os animais para tirar fotos também representa maus-tratos. Com supervisão o tempo todo e em um grupo de 11 pessoas (o máximo que o parque recebe por dia), pudemos tocar nos elefantes por um breve momento. Tenho até dificuldade em colocar em palavras. É fascinante. Conversei baixinho com a elefanta que me foi destinada. Olhamos nos olhos uma da outra. Pedi a ela permissão para tocá-la, agradeci por deixar eu me aproximar. Contei que era especial para mim conhecê-la e que eu nunca esqueceria esse dia. Que sempre pensaria nela e desejaria que ela estivesse bem, mesmo eu morando tão longe dali. Ela piscou várias vezes devagar enquanto eu falava. Seguimos a manada montanha adentro. Percebemos uma elefanta em meio à mata, a matriarca do bando, a chefa da turma. Está esperando um elefantinho. Não quis aparecer. Afinal, quem quer receber visita quando se está grávida há quase dois anos? É o tempo de gestação da espécie. Acompanhamos a chegada dos demais no rio para o banho. Trombas brincaram com as águas. Os grandes corpos deitaram-se na leve correnteza. Já estava calor. Logo começamos a nos despedir. Os elefantes seguiram para descansar em outra parte da montanha. Os turistas foram almoçar comida vegetariana. Fiquei observando eles de longe enquanto comia. Me senti maravilhosamente insignificante na Terra. P.S.: Chiang Mai também é conhecida por templos budistas famosos e impressionantes. A música Thai Temple, do The Toys, é perfeita para sentir a energia desse lugar, seus elefantes e espaços de elevação espiritual. Você encontra nos streamings de música.