Trazer o verde para dentro dos projetos residenciais tornou-se um meio de se reconectar com a essência natural da vida (Mariana Camargo/Divulgação) Em um cotidiano cada vez mais urbano, trazer o verde para dentro dos projetos residenciais tornou-se um meio de se reconectar com a essência natural da vida. A arquitetura de interiores chama essa ligação sensorial de biofilia, um conceito que trata desse exato vínculo entre a natureza e as pessoas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para a arquiteta Daniela Funari, a etimologia da palavra – do grego bios (vida) e philia (amor/afeição), resultando no amor à vida – é traduzida pela realização de projetos que promovem uma ligação prática e respeitosa com aquilo que representa o meio ambiente. “O intuito é fazer com que a presença dela ocupe um lugar de destaque para fomentar os pontos positivos que a biofilia nos acrescenta”, diz Daniela, enumerando que esse resgate é marcado pela presença de plantas, materiais naturais e paletas de cores, itens que nos ajudam na conexão inata que existe com a natureza. Atualmente, sistemas de regas automatizadas facilitam seu uso na decoração (Mariana Camargo/Divulgação) Jardins verticais Um dos exemplos mais atemporais da biofilia dentro dos projetos de interiores faz referência à inserção de jardins verticais, que normalmente ocupam um trecho de uma parede e entregam um ponto onde as plantas se tornam protagonistas do ambiente. Para a profissional, esse recurso está longe de sair de moda: pelo contrário, ganha novas potencialidades com o avanço da tecnologia. “Os sistemas de rega automatizada são tão sofisticados que controlam até a mesma umidade do solo”. Canteiros em apartamentos De acordo com Daniela, morar em apartamento deixou de ser um empecilho para quem quer desfrutar das sensações que o natural nos desperta. “Essa atmosfera não está mais restrita àqueles que vivem em casas com quintais ou áreas externas”, pontua, acrescentando que o desejo de ter um cantinho com plantas é um pedido recorrente dos clientes que atende no escritório. Diante do projeto, ela passa a analisar a viabilidade dos jardins verticais, canteiros próximos às janelas ou a disposição de vasos com espécies variadas. Seja um jardim vertical, plantas pendentes ou somente um detalhe em canto de destaque, o verde faz diferença no ambiente. (Mariana Camargo/Divulgação) Plantas pendentes Uma outra possibilidade é explorar a altura com espécies pendentes – aquelas que crescem em cascata por possuírem um caule mais flexível –, como a flor de maio, dinheiro em penca, jiboia, samambaia e a dedo de moça. Para isso, a inserção de armários suspensos ou prateleiras em serralheria, na visão da arquiteta, é uma boa alternativa para acomodar os vasos e deixar que toda exuberância da folhagem recaia pelo ambiente. “Além da serralheria, é possível incluir essas espécies em estantes, prateleiras e até em armários superiores de banheiros”, complementa Daniela sobre a versatilidade desse recurso. Cultivar espécies específicas Outra possibilidade diz respeito à inclusão da natureza com um olhar mais afetivo. “Isto acontece quando as espécies oferecem significados para os moradores”, relativiza a profissional. “É muito comum que as pessoas tenham um carinho especial por suas plantas e flores favoritas e isso deve ser incentivado, tornando o cultivo uma atividade prazerosa”.