Refeições “leves” demais, como saladas sem fonte proteica ou frutas isoladas, podem parecer saudáveis, mas resultam em fome precoce (Divulgação / Freepik) Você cortou o refrigerante, passou a comer mais salada, evita frituras e até faz caminhadas, mas a balança insiste em não se mover? Se essa situação lhe parece familiar, saiba que você não está sozinho. Segundo um levantamento da Endocrine Society, cerca de 45% das pessoas que seguem dietas equilibradas não conseguem perder peso de forma consistente, muitas vezes devido a fatores pouco discutidos ou percebidos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Especialistas em nutrição, endocrinologia e comportamento alimentar apontam que comer "certo" nem sempre significa comer de forma estratégica para emagrecer. Entre os principais sabotadores do processo estão o consumo excessivo de calorias escondidas, expectativas irreais, falta de sono, estresse crônico e até o uso incorreto de alimentos saudáveis. 1. Alimentos saudáveis também engordam — quando consumidos em excesso Trocar salgadinhos por castanhas ou doces por frutas é um passo importante, mas não isento de riscos. Alimentos como oleaginosas, abacate, granola e açaí são ricos em nutrientes, mas também em calorias. De acordo com a Harvard T.H. Chan School of Public Health, um dos principais erros cometidos por quem quer emagrecer é superestimar o valor “saudável” de um alimento e subestimar seu valor calórico. “A qualidade da comida importa, mas a quantidade também”, resume uma das diretrizes da instituição. 2. Dormir mal desacelera o metabolismo Estudos da Universidade de Chicago revelam que dormir menos de seis horas por noite pode reduzir a queima de gordura em até 55%, mesmo com alimentação equilibrada. Isso ocorre porque a privação de sono interfere na produção de leptina e grelina, hormônios que regulam a saciedade e a fome. Além disso, a falta de sono aumenta o desejo por carboidratos simples e alimentos ultraprocessados, criando um ciclo vicioso difícil de quebrar. 3. Estresse pode sabotar a perda de peso — mesmo comendo bem Sob tensão constante, o corpo libera mais cortisol, o hormônio do estresse, que está diretamente ligado ao acúmulo de gordura abdominal. Segundo a Mayo Clinic, o cortisol em excesso estimula o apetite, reduz a massa muscular e desacelera o metabolismo — dificultando a queima calórica, mesmo em dietas balanceadas. Além disso, o estresse pode levar à chamada fome emocional, em que a pessoa come sem estar com fome fisiológica. 4. Falta de proteínas e fibras pode comprometer a saciedade Refeições “leves” demais, como saladas sem fonte proteica ou frutas isoladas, podem parecer saudáveis, mas resultam em fome precoce. Segundo a Sociedade Brasileira de Nutrição, dietas com baixo teor de proteínas e fibras dificultam a sensação de saciedade e aumentam a chance de beliscar fora de hora. Incluir alimentos como ovos, peixes, grãos integrais, legumes e verduras fibrosas ajuda a manter a fome sob controle e a estimular a perda de gordura. 5. Exercício em excesso sem alimentação adequada também impede o emagrecimento Sim, exagerar nos treinos pode ser contraproducente. Quando há déficit calórico muito severo combinado com atividade física intensa, o corpo entra em modo de compensação metabólica, reduzindo o gasto energético basal para se proteger. Segundo estudo da American Journal of Clinical Nutrition, o segredo está no equilíbrio entre ingestão calórica e gasto — sem extremos. 6. Bebidas “inofensivas” que somam calorias silenciosas Chás industrializados, sucos naturais em excesso, bebidas vegetais adoçadas e até “águas saborizadas” podem conter açúcares adicionados ou calorias não contabilizadas. De acordo com o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), muitas pessoas não consideram líquidos como parte da ingestão calórica diária, o que pode comprometer os resultados da dieta, mesmo quando o prato parece ideal. 7. Questões hormonais ou metabólicas podem exigir avaliação médica Algumas condições, como hipotireoidismo, resistência à insulina, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e até efeitos colaterais de medicamentos, podem dificultar a perda de peso. A recomendação do Ministério da Saúde é procurar avaliação profissional caso haja dificuldade em emagrecer mesmo com alimentação balanceada e estilo de vida saudável. A orientação de um nutricionista e endocrinologista é essencial para descartar causas clínicas.