Coordenadora do pronto-socorro infantil do Hospital Ana Costa, em Santos, afirma que acidentes domésticos aumentam nas férias (Alexsander Feraz/AT) O período de férias escolares altera a rotina das famílias e impacta a procura por atendimento pediátrico. No Hospital Ana Costa, em Santos, a maior parte das demandas no pronto-socorro infantil durante o verão está relacionada a acidentes e quadros de gastroenterite. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a médica pediatra Mirian Valente, coordenadora do pronto-socorro infantil do hospital, os acidentes domésticos aumentam porque as crianças passam mais tempo em casa. Quedas, choques e ferimentos são comuns. Fraturas também, pois se brinca mais ao ar livre e em parques. Em relação às doenças, Mirian afirma que aumentam os registros de quadros infecciosos, principalmente de gastroenterite aguda. A condição é causada, em especial, por dois vírus: o norovírus, mais comum, e o rotavírus, para o qual há vacina. Os sintomas incluem febre, vômitos, dor abdominal e diarreia. O principal risco da gastroenterite é a desidratação. A pediatra alerta para sinais considerados de alarme, como desidratação, evacuação com sangue, febre alta e exaustão. Crianças com vômitos persistentes, que não conseguem ingerir líquidos ou não melhoram com medicação em casa devem ser levadas ao pronto atendimento. “Quando a criança está vomitando, ela não consegue nem tomar remédio pela boca”, diz. Quadros de gastroenterite são as principais demandas no Hospital Ana Costa ( Matheus Tagé/AT ) Comida A alimentação durante as férias também muda e exige atenção. Mirian Valente destaca que a quebra da rotina favorece o consumo de alimentos fora do padrão habitual, como industrializados, e de açúcar. As orientações são tentar manter uma alimentação o mais próxima possível da rotina escolar e reforçar a hidratação. A médica ressalta que a criança, geralmente, não pede água. Por isso, é fundamental que os pais ofereçam líquidos ao longo do dia. Ela explica que o calor aumenta a perda de líquidos pelo suor e que, quando a criança pede água, isso pode indicar um grau de desidratação. A água de coco pode ajudar por conter sódio e potássio, mas não substitui a água potável. Bebidas isotônicas não são recomendadas para crianças. Temperatura Mirian Valente diz que o calor não costuma agravar quadros respiratórios, pois as crianças ficam menos tempo em ambientes fechados e aglomerados. Segundo ela, atividades ao ar livre reduzem a circulação de vírus respiratórios. Os cuidados com a pele também fazem parte da atenção no verão. A pediatra explica que bebês de até 3 meses não devem ser expostos ao sol, pois a pele deles ainda é imatura e não possui proteção contra radiação. Nesse caso, a orientação é o uso de barreiras físicas, como roupas com proteção solar, chapéus, carrinhos com capota e permanência à sombra. Para crianças maiores, o uso de protetor solar é indicado, com preferência pelo protetor físico (mineral) até 2 anos de idade. PS para crianças atende 24 horas por dia: hidratação, medicação e orientação (Alexsander Ferraz/AT) Cautela em viagens e uso de telas Em viagens, a médica reforça que a imunidade está diretamente ligada aos cuidados do dia a dia, como alimentação, sono, hidratação e vacinação em dia. Em geral, a contaminação se dá pelas mãos, pela água e por alimentos mal armazenados. Em relação à febre, Mirian Valente explica que, hoje, ela é entendida como uma resposta do sistema imunológico. O mais importante, segundo a pediatra, é observar o estado geral da criança. Crianças com febre, mas ativas e aceitando líquidos, nem sempre precisam de medicação, enquanto as mais cansadas ou com dor devem ser medicadas. O uso excessivo de telas tende a aumentar durante as férias e pode impactar a saúde das crianças. A médica afirma que a exposição prolongada interfere no sono, no humor e no desenvolvimento, podendo causar irritabilidade e dificuldade para lidar com frustrações. No Hospital Ana Costa, o pronto-socorro infantil funciona 24 horas por dia e conta exclusivamente com médicos pediatras. Segundo Mirian Valente, a equipe está preparada para acolher crianças, realizar hidratação e medicação venosa quando necessário e orientar famílias. “O serviço está preparado para atender e receber essas crianças durante o período do verão.”