Enquanto juros altos limitam tomar empréstimo, aumento do emprego leva mais famílias a cumprirem critérios dos programas habitacionais (Alexsander Ferraz/At) Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP) indicam que, no ano passado, as vendas de imóveis usados na Baixada Santista tiveram alta de 49% em relação a 2024. Já as locações cresceram 129%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, a estatística referente às casas e apartamentos comercializados reforça que o mercado imobiliário na região está aquecido. Por outro lado, o aumento das locações é visto com maus olhos, pois indica dificuldades na modalidade. “O acumulado das vendas significa que o mercado de Santos e região esteve bem aquecido em 2025, foi um período bom para o mercado imobiliário”, analisa Viana. “Tivemos esse resultado levando em consideração que, durante o ano, houve muitas oscilações, tanto negativas quanto positivas”, comenta. Viana explica que o aumento das vendas no ano passado não teve número tão expressivo devido a um mau desempenho do mercado no ano anterior, mas sim em função de fatores que contribuíram para uma sensação de segurança na economia do País. “Por um lado, a taxa de juros está alta, de forma que acaba sendo muito excludente para quem deseja comprar um imóvel. Por outro, houve um crescimento significativo dos empregos formais com carteira assinada, e isso coloca a pessoa numa faixa em que é possível fazer essa compra, em vez de pagar aluguel”, diz. Outro fator que contribuiu para o aumento das vendas, de acordo com Viana, é a oferta de financiamentos, em especial o programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. O presidente do Creci-SP destaca a abrangência do programa que, com a Faixa 4, atende desde famílias com renda correspondente ao salário mínimo às de classe média, com renda familiar de até R\$ 12 mil. “Essa abrangência compreende pelo menos 85% do mercado. Com a Selic alta, o Minha Casa, Minha Vida fica muito atrativo. Estamos abrangendo um número de pessoas muito grande e com possibilidade e facilidade para fazer negócio”, afirma. Mais vendas Viana destaca, além disso, uma especificidade da Baixada Santista. Desde a pandemia, a região tem apresentado maior procura por imóveis, e a demanda não tem apresentado qualquer sinal de retração, conforme Viana. “Muita gente redescobriu o conforto, a qualidade de vida oferecidos pela região e resolveram se mudar para o Litoral. Esse movimento fica claro nas pesquisas, dado o aumento constante das vendas”, diz. Alta do aluguel causa rotatividade na locação Segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, o forte crescimento das locações no ano passado não reflete necessariamente um aumento da demanda por novos moradores, mas uma intensa rotatividade provocada pela alta dos aluguéis. Com o fim dos contratos, proprietários reajustam os valores acima da capacidade de pagamento dos inquilinos, que acabam devolvendo os imóveis e buscando opções mais baratas. Esse deslocamento interno gera mais contratos registrados e infla as estatísticas de locação. “Para a sociedade, esse dado é péssimo, porque as pessoas são obrigadas a se mudar. Gastam dinheiro com mudança, alteram a escola dos filhos, muitas vezes essa mudança também dificulta o acesso ao trabalho”. Em relação ao perfil das locações em dezembro, os apartamentos representaram 82% das unidades alugadas, conforme a pesquisa. Enquanto isso, as casas responderam por apenas 18%. Entre os imóveis locados, 50% dos apartamentos tinham até 50 metros quadrados, e 86,4% possuíam um ou dois dormitórios. Entre as casas, o padrão foi semelhante, com predominância de imóveis de dois dormitórios e área entre 51 e 100 metros quadrados. As regiões nobres concentraram 45,8% das locações. O valor mais frequente de aluguel ficou entre R\$ 2 mil e R\$ 3 mil. A garantia mais usada foi a caução, presente em 75,5% dos contratos. Por fim, os motivos para mudança foram pouco informados: 78,9% não declararam a causa da troca de imóvel, enquanto 15,8% alegaram a necessidade de um aluguel mais barato. Oscilações A pesquisa do Creci-SP demonstra que 2025, de fato, foi um ano de oscilações mês a mês nas vendas e locações de imóveis na Baixada Santista. Conforme o acumulado, houve queda nas vendas em oito dos 12 meses do ano, e em seis meses nas locações. As maiores variações nas duas modalidades foram registradas em setembro, quando as vendas tiveram alta de 97,8% e as locações de 107,02%. Já em dezembro, o saldo nas duas modalidades foi positivo: de 25,3% nas vendas e 28,3% nas locações. Ainda conforme os dados do mês, do total de vendas de imóveis, 32% correspondem a casas e 68% a apartamentos. Entre as casas mais procuradas para venda, estão as de dois dormitórios, que representam 53,8%. Em relação à área útil, as mais buscadas são as de 51 a 100 metros quadrados, que correspondem a 38,5% do total. Já entre os apartamentos, predominam os de um dormitório, representando 41,2%. Os imóveis com área útil de até 50 metros quadrados foram os mais buscados, sendo 47,1% do total de apartamentos vendidos. A maior parte dos imóveis negociados, segundo a pesquisa, fica localizada em bairros nobres, sendo 56,5% do total. Já entre as formas de pagamento, destaca-se o financiamento feito por bancos, exceto a Caixa. Entre as casas e apartamentos vendidos, 56,8% foram pagos por meio dessa modalidade. Já os financiamentos da Caixa corresponderam a 11,4% das propriedades negociadas.