A principal diferença entre a trombose e a trombofilia está na origem do problema (Pixabay) A trombose é uma condição clínica caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos (trombos) dentro dos vasos, dificultando ou bloqueando a circulação. Segundo o cirurgião vascular Felipe Ziccardi Rabelo, a doença pode afetar tanto as veias quanto as artérias. “A formação de um trombo impede ou dificulta a circulação sanguínea. Há casos mais graves em que esse coágulo se desprende e se desloca pela circulação, podendo obstruir algum órgão”, explica o médico. A trombose venosa profunda (TVP), comum nas pernas, pode levar à embolia pulmonar, considerada uma das principais causas de morte cardiovascular. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A trombofilia, por sua vez, é uma condição hereditária ou adquirida que aumenta a propensão do organismo de formar coágulos sanguíneos de forma anormal. De acordo com o Ministério da Saúde, por meio de protocolo elaborado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a forma mais comum da trombofilia é o tromboembolismo venoso (TEV), que inclui tanto a TVP quanto o tromboembolismo pulmonar (TEP). Gestantes são particularmente vulneráveis e podem sofrer abortos espontâneos, pré-eclâmpsia ou morte fetal quando a condição não é devidamente acompanhada. Diferença entre trombose e trombofilia A principal diferença entre as duas condições está na origem do problema. A trombose é o evento clínico em que há a formação de um coágulo que já obstrui a circulação. Já a trombofilia é a predisposição para que esse tipo de evento aconteça, podendo se manifestar repetidamente ao longo da vida. Pessoas com trombofilia muitas vezes apresentam episódios recorrentes de trombose, mesmo em idade jovem ou sem fatores de risco evidentes. O diagnóstico da trombose é feito por exames de imagem, como ultrassom com doppler e tomografia com contraste. A trombofilia exige uma investigação laboratorial mais aprofundada, com testes genéticos e análise de proteínas que regulam a coagulação do sangue. De acordo com o Ministério da Saúde, o rastreamento para trombofilia em gestantes só deve ser feito em casos específicos, como quando há histórico pessoal de tromboembolismo venoso ou antecedentes familiares com formas graves da doença. Sintomas e fatores de risco Os sintomas da trombose variam de acordo com a localização do coágulo. Quando afeta as veias das pernas, há inchaço, dor e sensação de peso. Nas artérias, os sinais são mais intensos e incluem dor súbita e intensa, como no infarto. Segundo Rabelo, “quando o impedimento está no retorno do sangue ao coração, a manifestação mais comum é o inchaço. Ele pode ou não vir associado a dores. Outras ocorrências mais graves, como falta de ar, tosse e perda de consciência, são comuns nas formas graves e necessitam de atendimento médico de emergência”. Os fatores de risco para trombose incluem obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais, cirurgias recentes, doenças cardíacas, imobilização prolongada e gravidez. A trombofilia, por sua vez, pode ter origem genética — como as mutações do Fator V de Leiden ou da protrombina — ou ser adquirida, como nos casos de síndrome do anticorpo antifosfolípide. O médico destaca que a trombose pode surgir por uma combinação de três fatores conhecidos como Tríade de Virchow: “lesões na parede dos vasos sanguíneos, diminuição da velocidade do sangue no interior dos vasos e alterações que fazem o sangue coagular demais”. Diagnóstico e tratamento O tratamento da trombose costuma envolver o uso de anticoagulantes, meias de compressão, prática de exercícios físicos e alimentação equilibrada. Em casos graves, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos ou cateterismos para retirada do coágulo. A trombofilia, especialmente em gestantes, exige monitoramento contínuo e, em alguns casos, o uso preventivo de medicamentos para evitar a formação de trombos. Rabelo reforça que a prevenção é a melhor estratégia: “A melhor conduta é a prevenção, já que a trombose pode ser fatal”. Ele destaca ainda que, diante de qualquer suspeita, “um médico deverá ser consultado com urgência para conduzir o diagnóstico e, posteriormente, o tratamento mais adequado”.