Em vez de segurar, o ideal é permitir que o reflexo ocorra de forma segura, cobrindo a boca e o nariz, para não espalhar germes (Divulgação / Freepik) Quando sentimos aquela coceira no nariz, o corpo dá sinais: espirrar é reflexo natural para expulsar impurezas, alergênios ou micro-organismos. Mas nem sempre é possível deixar o espirro acontecer seja por vergonha, costume ou situação inconveniente— e muitos optam por prendê-lo. Especialistas alertam que essa prática, embora comum, pode causar danos à saúde: de infecções de ouvido a rupturas na garganta, e em casos extremos, complicações potencialmente graves. Conheça o que a ciência mostra sobre segurar espirro, os riscos envolvidos e como espirrar com segurança. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é espirrar e por que ele acontece? O espirro (sternutação) é uma reação reflexa poderosa que envolve nariz, seios paranasais, garganta, pulmões. Serve para expulsar partículas irritantes, alérgenos, vírus ou bactérias. A pressão gerada na respiração e nas vias respiratórias antes de espirrar pode ser alta — num estudo, estimou-se que pode ficar 5 a 24 vezes superior à pressão normal no trato respiratório se o espirro for contido. O que acontece no corpo se seguramos o espirro? Veja abaixo os principais danos reportados pela literatura médica: Sistema afetado Possíveis lesões / consequências Ouvidos Ruptura do tímpano, infecções no ouvido médio (otite), dor, perda auditiva temporária ou, raramente, permanente. Isso porque o ar pressurizado pode viajar pela tuba auditiva quando o espirro é impedido. Seios nasais, cavidade nasal Acúmulo de muco, irritação, infecções sinusais. Olhos e vasos sanguíneos Explosão de pequenos vasos (vazamentos superficiais), vermelhidão, talvez sangramento leve. Pessoas com glaucoma ou problemas vasculares podem ter risco aumentado. Garganta, faringe e estruturas da cabeça Em casos raros: ruptura da parede da faringe (parte de trás da garganta), dor intensa, dificuldade para engolir ou falar. Há relato de paciente que reteve o espirro pinçando o nariz e fechando a boca, com dor no pescoço e inchaço. Pulmões, diafragma, costelas Pode haver injúria por pressão, sensação de desconforto no peito; em casos extremos reportam até colapso pulmonar ou fraturas de costela em pessoas com fragilidade óssea. Riscos mais graves e raros Aumento súbito de pressão intracraniana, possibilidade de ruptura de aneurismas cerebrais (em quem já tem propensão), ar forçado para espaços incomuns (como subcutâneo no pescoço ou entre pulmões) — pneumo-céfalo (ar no interior da calota craniana) em casos extremos. Em que situações o risco é maior? Quando a contenção é feita de forma absoluta: pinçar o nariz + fechar a boca. Quando a pessoa tem condições médicas preexistentes como glaucoma, aneurisma cerebral, problemas nos ouvidos, fragilidade óssea. Frequência: segurar espirros com muita regularidade pode, ao longo do tempo, agravar ou predispor a problemas. O que fazer: estratégias mais seguras? Deixe o espirro sair, mas controle onde e como: cubra boca e nariz com lenço ou com dobra do braço (cotovelo). Evite usar as mãos diretamente se possível. Evite pinçar o nariz ou tapar completamente a boca e nariz ao mesmo tempo. Mantenha higiene nasal, trate alergias ou infecções que causam irritação frequente. Se sentir dor, ouvido tampado, sangramento nasal ou dor de garganta após tentar segurar um espirro, procure avaliação médica. Por que ainda fazemos isso: motivos culturais, sociais, comportamentais Estigma social: em muitos ambientes, um espirro alto ou repentino pode ser visto como “indelicado” ou “desagradável”. Constrangimento (no transporte público, reunião, local silencioso). Há quem acredite que segurar espirro evita transmissão de germes — mas a ciência diz que isso não é verdadeiro do ponto de vista da proteção individual: pior que isso, pode causar danos ao corpo. Cobrir o espirro (com lenço, braço) é o recomendado. Falta de conhecimento sobre os riscos. Muitas pessoas desconhecem os relatos clínicos raros, então tendem a subestimar o problema.