Botões do lado direito ou esquerdo? Roupas femininas diferem das masculinas em vários aspectos (Reprodução) Camisetas mais largas ou justas? Botões do lado direito ou esquerdo? Zíper para um lado só? Quando se fala em roupa feminina ou masculina, a diferença parece óbvia — mas nem sempre foi assim. E, no cenário atual, onde a moda sem gênero ganha espaço, vale entender o que, de fato, diferencia uma peça dita “masculina” de uma “feminina”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essas distinções vão muito além do guarda-roupa. Envolvem história, comportamento, normas sociais e estratégias da indústria da moda. E, aos poucos, estão sendo questionadas por consumidores que desejam liberdade de expressão e conforto acima das convenções de gênero. Origem histórica: quando começou a separação? A divisão entre roupas de homem e mulher é um fenômeno relativamente recente. Durante boa parte da história, sobretudo até o século XVII, homens também usavam túnicas, vestidos longos e tecidos ornamentados. Foi no contexto da Revolução Industrial e da ascensão do vestuário como produto de massa que se consolidou a ideia de “roupa de homem” e “roupa de mulher”, associadas respectivamente a funções sociais distintas: trabalho e produção versus beleza e domesticidade. Diferenças técnicas de corte, modelagem e funcionalidade Hoje, as roupas são desenhadas com bases anatômicas e funcionais diferentes, a depender do gênero-alvo. Veja algumas distinções comuns: Aspecto Roupas Masculinas Roupas Femininas Modelagem Ombros mais largos, cortes retos Cintura marcada, busto delineado Tamanhos Baseados em medidas de tórax e cintura Consideram busto, quadril e cintura Botões Do lado direito (por convenção militar/histórica) Do lado esquerdo (relacionado ao vestuário da elite europeia) Cores e estampas Tons neutros e discretos Paleta mais ampla e com mais estampas Bolsos Maiores, mais funcionais Menores ou até ausentes em algumas peças O curioso é que algumas dessas diferenças não têm justificativa prática real — apenas histórica ou comercial. A ausência de bolsos em roupas femininas, por exemplo, remonta ao século XIX, quando bolsas de mão passaram a ser associadas à feminilidade. A moda como estratégia de consumo segmentado Segundo especialistas em marketing, separar roupas por gênero também foi (e ainda é) uma estratégia comercial eficiente. A segmentação cria padrões distintos de comportamento de compra e aumenta a chance de um consumidor adquirir várias versões de uma mesma peça — uma para ele, outra para ela. Essa lógica também explica por que peças femininas geralmente mudam mais de coleção para coleção, enquanto a moda masculina tende a ser mais conservadora e durável em termos de estilo. E o corpo? Diferenças anatômicas reais existem? Sim, mas elas não são absolutas. Embora existam padrões anatômicos médios distintos (como ombros mais largos em homens e quadris mais largos em mulheres), há uma grande diversidade corporal dentro de cada gênero — o que torna os tamanhos “padrão” muitas vezes ineficientes. Por isso, cresce a demanda por modelagens mais inclusivas, que considerem corpos reais, identidades não-binárias e diferentes expressões de gênero. O avanço da moda sem gênero (genderless) De Harry Styles a Billie Eilish, passando por marcas como Balenciaga, Collina Strada, Baw e Adidas, a chamada moda genderless ou sem gênero tem ganhado força nos últimos anos. Essas coleções propõem peças com modelagem unissex, cores neutras, tamanhos amplos e liberdade estética. O objetivo não é apagar as identidades, mas permitir que cada pessoa escolha o que veste com base no estilo e no conforto — e não no seu gênero biológico. A geração Z não quer ser rotulada. A moda, nesse sentido, é uma forma de desafiar normas rígidas e afirmar singularidades, segundo especialistas.