O ronco frequente não é apenas um incômodo para quem está ao lado (Divulgação) O ronco costuma ser tratado como um incômodo noturno, algo que afeta mais quem divide o quarto do que quem ronca. Mas, segundo especialistas em distúrbios do sono, o barulho pode ser bem mais do que um mero desconforto: em alguns casos, é um sinal de alerta de problemas de saúde sérios. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que roncamos Durante o sono, é natural que os músculos da garganta relaxem. Esse relaxamento faz com que os tecidos moles, especialmente o palato mole (parte posterior do céu da boca), vibrem à passagem do ar, gerando o ronco. Fatores como a idade, o excesso de peso, especialmente gordura concentrada no pescoço e abdômen, consumo de álcool ou sedativos, congestão nasal, estrutura da mandíbula e alterações anatômicas (como desvio de septo ou amígdalas aumentadas) aumentam a probabilidade de roncar. Quando o ronco é sinal de algo mais grave Embora muitas pessoas ronquem eventualmente e sem maiores consequências, nem todo ronco deve ser ignorado. Quando o ronco é frequente, alto e acompanhado por outros sintomas, como pausas na respiração, sensação de sufocamento durante a noite, sono pouco reparador, sonolência excessiva durante o dia, cefaleia matinal ou cansaço constante —, pode haver um quadro mais sério: a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). Na AOS, a respiração pode parar por vários segundos seguidos ou tornar-se muito superficial repetidamente durante o sono, o que reduz o nível de oxigênio no sangue e fragmenta o sono. O resultado é sono de má qualidade, mesmo dormindo horas, e forte impacto na saúde. Estima-se que o ronco é presente em 90% a 95% dos casos de AOS. Riscos para a saúde Ignorar o ronco e a apneia pode trazer complicações graves, como: Sonolência diurna excessiva, fadiga e dificuldade de concentração, com impacto no desempenho pessoal e profissional. Maior risco de problemas cardiovasculares: hipertensão, arritmias, e até risco aumentado de AVC. Impacto na saúde geral — desde alterações metabólicas, dificuldade de memória e comprometimento da qualidade de vida. O que fazer se você ouve roncar Se você ronca ou seu(sua) parceiro(a) reclama do ronco, vale prestar atenção a sinais de alerta, pausas na respiração, cansaço ao acordar, sonolência diurna ou ronco muito intenso. Se forem perceptíveis, o ideal é buscar avaliação médica, que poderá indicar exames como a Polissonografia para diagnosticar problemas de sono. Para casos menos graves, há medidas simples que podem ajudar a reduzir ou evitar o ronco: Dormir de lado ao invés de costas. Elevar a cabeceira da cama ou usar travesseiro que eleve parte superior do corpo. Evitar consumo de álcool e sedativos nas horas próximas ao sono. Investir em hábitos saudáveis, com controle de peso e tratamento de obstruções nasais (como desvio de septo ou rinite), se for o caso. Quando procurar um especialista Procure ajuda médica se você observar: Ronco persistente e alto, principalmente se ouvido em outro cômodo; Episódios de pausa na respiração ou sufocamento durante a noite; Sonolência diurna intensa, fadiga, dificuldade de concentração; Hipertensão, sobrepeso ou outros fatores de risco associados. Tratar o problema no início pode evitar consequências como distúrbios cardiovasculares, distúrbios metabólicos e prejuízo à qualidade de vida.