O ronco frequente não é apenas um incômodo para quem está ao lado (Divulgação) Roncar é tão comum que muita gente encara o som noturno como algo normal e até motivo de piada. Porém, médicos alertam: nem sempre o ronco é inofensivo. Em alguns casos, ele pode ser um sintoma de problemas graves de saúde, incluindo apneia obstrutiva do sono, alterações respiratórias e até risco aumentado de hipertensão e doenças cardíacas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo especialistas, o ronco ocorre quando o ar encontra dificuldade para passar pelas vias aéreas durante o sono, causando vibração de tecidos da garganta. Embora fatores simples, como posição ao dormir ou cansaço extremo, possam provocar o barulho, a persistência do sintoma merece atenção. O que causa o ronco? Vários fatores podem levar ao ronco, entre eles: Obstrução nasal (rinite, sinusite, desvio de septo) Aumento das amígdalas ou adenóides Sobrepeso e acúmulo de gordura no pescoço Relaxamento excessivo da musculatura durante o sono Álcool antes de dormir Refluxo gastroesofágico Alterações anatômicas, como mandíbula pequena Embora seja comum, o ronco recorrente pode indicar que a respiração está prejudicada e isso não deve ser ignorado. O grande vilão: apneia do sono O principal sinal de alerta é quando o ronco vem acompanhado de pausas na respiração, quadro conhecido como apneia obstrutiva do sono. Durante essas interrupções, que podem durar segundos, o corpo recebe menos oxigênio, provocando microdespertares ao longo da noite. Sintomas que indicam risco de apneia: Sonolência excessiva durante o dia Acordar cansado, mesmo após muitas horas de sono Dor de cabeça matinal Boca seca ao acordar Dificuldade de concentração Irritabilidade Paradas respiratórias observadas por outra pessoa A apneia não tratada está associada a hipertensão, arritmias, infarto, AVC e menor expectativa de vida. Quando o ronco é motivo para procurar um médico? O ronco é frequente e alto Há queixas de pausas na respiração O paciente acorda cansado diariamente Há engasgos ou sufocamento durante o sono O ronco apareceu recentemente sem explicação A pessoa apresenta ganho de peso significativo O ronco atrapalha atividades do dia por causa do cansaço Nesses casos, o ideal é procurar um otorrinolaringologista ou um especialista em sono. Como é feito o diagnóstico? O exame mais completo para investigar o ronco e a apneia é a polissonografia, que monitora respiração, batimentos cardíacos, oxigenação, movimentos e qualidade do sono. Características como anatomia da garganta, nariz e mandíbula também são avaliadas em consultório. Tratamentos possíveis O tratamento depende da causa. Entre as opções estão: Perda de peso, quando o sobrepeso contribui para a obstrução Uso de CPAP, aparelho que mantém as vias aéreas abertas Dispositivos intraorais feitos por dentistas Cirurgias, como correção do septo ou redução de amígdalas Tratamento de rinite e sinusite Mudanças simples, como evitar álcool à noite e dormir de lado Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores os resultados. Ronco infantil também merece atenção Em crianças, o ronco nunca deve ser considerado normal. A causa mais comum é aumento de amígdalas e adenóides, que pode prejudicar o desenvolvimento, causar irritabilidade, dificuldade de aprendizado e problemas de crescimento. Pais devem procurar orientação médica se o ronco for constante. Por que não devemos ignorar? O ronco frequente não é apenas um incômodo para quem está ao lado. Ele pode comprometer a oxigenação do organismo, afetar a memória, reduzir o rendimento no trabalho e até aumentar acidentes de trânsito devido à sonolência excessiva. Para os médicos, a regra é clara: quem ronca muito deve investigar.