Pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisaram mais de 5.600 pessoas em 26 países diferentes (FreePik) Beber dois litros de água por dia: essa frase soa como lei para você? Apesar de repetida em consultórios e sites de saúde, a recomendação está sendo contestada por novos estudos científicos que apontam para a individualização da quantidade ideal de água. Saiba por que essa regra pode não ser tão precisa quanto se imaginava e como realmente calcular sua hidratação diária. A ideia de que todo ser humano adulto precisa beber dois litros de água por dia, equivalente a cerca de oito copos, faz parte do imaginário popular há décadas. Mas, segundo um estudo publicado na revista Science, a necessidade hídrica varia significativamente entre pessoas de diferentes idades, sexos, atividades físicas, climas e dietas. Origem do “2 litros por dia” De acordo com a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA (NASEM), a recomendação dos dois litros surgiu de uma interpretação incompleta de um relatório de 1945, que sugeria cerca de 2,5 litros diários de água, mas incluía a água presente nos alimentos – algo que foi ignorado em versões simplificadas divulgadas ao público. Alimentos como frutas, legumes, sopas e até arroz cozido possuem quantidades significativas de água que entram no cálculo total de ingestão. O que diz o novo estudo Pesquisadores da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisaram mais de 5.600 pessoas em 26 países diferentes, usando uma técnica avançada com água marcada por isótopos estáveis. O resultado mostrou que as necessidades diárias variam de 1,5 litro a até 6 litros de água, dependendo de fatores como: Clima: regiões quentes e úmidas aumentam a necessidade. Peso corporal e composição muscular: pessoas com maior massa magra requerem mais água. Atividade física: exercícios aumentam a perda de líquidos pelo suor. Idade: idosos tendem a ter menor sensação de sede, mas precisam de atenção à hidratação. Dieta: dietas ricas em proteínas, sal ou fibras demandam mais água para metabolização. Hidratação excessiva também é perigosa O estudo alerta que beber água em excesso pode causar hiponatremia, condição que dilui o sódio no sangue, podendo gerar náuseas, confusão mental, convulsões e, em casos extremos, até morte. Casos como o de atletas amadores que exageram na hidratação durante corridas têm sido cada vez mais relatados em emergências médicas. Como saber quanta água você precisa A melhor maneira de avaliar sua hidratação é simples e prática: Observe a cor da urina: quanto mais clara, melhor (exceto a primeira do dia, que é naturalmente concentrada). Monitore a sede: ela é um sinal confiável para a maioria das pessoas saudáveis. Ajuste a ingestão em dias de calor intenso ou após exercícios físicos. Segundo a Mayo Clinic, a média de ingestão ideal para homens gira em torno de 3,7 litros diários e para mulheres, 2,7 litros – incluindo toda a água presente nos alimentos e outras bebidas, como café, chá, sucos e sopas. Especialistas recomendam cautela com modismos Dra. Tamara Hew-Butler, professora de Fisiologia do Exercício na Wayne State University (EUA), alerta que a cultura de “beber água o tempo todo” não é necessária para todos. “A hiponatremia induzida por excesso de água é real. Confiar no mecanismo natural de sede costuma ser suficiente para manter a homeostase corporal na maioria dos casos.” Conclusão Embora beber água seja essencial para saúde, a famosa regra dos dois litros diários não se aplica igualmente para todos. A hidratação deve considerar fatores individuais, além do clima e da rotina de cada pessoa. O mais seguro é observar sinais do corpo e ajustar conforme suas necessidades reais.