Uma “Vila Rica 2” está surgindo em Santos, agora na Ponta da Praia, com muitos empreendimentos em construção, com destaque para o médio e alto padrão. É o que avalia o consultor imobiliário Diego Ricci, CEO da Ricci Consultoria Imobiliária. “Vejo uma tendência do alto padrão partindo do Canal 4 até a Ponta da Praia. Quase todos os lançamentos que vêm acontecendo têm metragens grandes, e automaticamente o tíquete final (preço médio) do imóvel aumenta”, comenta. Segundo ele, prédios mais novos chegam com apartamentos entre R\$ 14 mil e R\$ 15 mil o metro quadrado, dependendo do local e se for com vista para o mar. Na orla, o valor pode chegar a R\$ 20 mil. “Há opções em prédios mais antigos, acima de dez anos, na faixa de R\$ 9 mil a R\$ 10 mil o metro quadrado, desde que estejam bem conservados”. Ele explica que, neste sábado (6), um imóvel de alto padrão de dois dormitórios pode ir de R\$ 1,2 milhão a R\$ 1,5 milhão. Já de três dormitórios, vai de R\$ 2 milhões a R\$ 2,5 milhões. O consultor imobiliário lembra que os apartamentos com vista para o mar ainda têm a preferência. “Porém, em Santos, a orla ainda é de imóveis mais antigos. Conciliar as características que todos buscam, que é um prédio mais novo com uma varanda gourmet e com vista para o mar, é mais difícil, porque não tem terrenos. Para isso, é preciso procurar, pelo menos, uma quadra para trás”, afirma Ricci. Ele diz que tem crescido, no segmento de alto padrão, a demanda por apartamentos retrofitados (modernização de imóveis antigos), especialmente na Avenida Washington Luís, de 300 metros quadrados, que tinham entrado em desuso. Ricci também observa a preferência por apartamentos amplos, com varanda. “Os carros elétricos são uma tendência também, e as áreas de lazer agregam valor”. FGTS A permissão do uso do FGTS em financiamentos imobiliários de até R\$ 2,25 milhões deve impactar o mercado de médio e alto padrão, na visão do consultor. “Santos é uma cidade que recebe muitos profissionais com bons ganhos e Fundo de Garantia alto. Essa mudança acompanha também a valorização dos imóveis”, complementa Ricci. (Alexsander Ferraz/AT) Oportunidade em Santos Diego Ricci (foto) está no mercado imobiliário há 15 anos. Natural de São Paulo, ele veio a Santos e, além de se apaixonar pela Cidade, encontrou oportunidades para os negócios. “A Ricci Consultoria Imobiliária está atualmente com seis anos. Desde o início, quando entrei nesse mercado, sempre gostei de atuar no mercado de alto padrão. Quando cheguei aqui, vi que tinham várias imobiliárias atuando nesse mercado, mas não especificamente, não nichada. E eu vi que havia uma carência para isso. Foi quando decidi montar a minha imobiliária com esse foco, para trazer um atendimento de exclusividade, para trazer um atendimento dinâmico. E deu certo”, conta ele. Após montar uma sala no Gonzaga, hoje sua empresa ocupa um espaço de 300 metros quadrados num prédio da Aparecida. “Precisávamos crescer, diante do aumento da demanda”, justifica. São 2,5 mil imóveis, a partir de R\$ 700 mil. Sua equipe conta com 35 corretores, todos formados na própria empresa. “Hoje mudou a forma de venda de um imóvel. Antigamente era muito aquele cara, conversador, até meio malandro. Hoje, a venda é muito técnica, e o próprio cliente mudou muito. Se você não estiver preparado, o cliente ‘te engole’, porque informação, que era antes concentrada no profissional, está diluída para todos. Tem que estudar, se preparar muito. Então, quando eu identifico pessoas que estão com vontade de mudar de vida, em busca de um novo desafio, para mim essa é a base para eu poder trazê-la. É gratificante ver pessoas mudando de vida por um empurrãozinho nosso”. Litoral Norte superando a Baixada O consultor imobiliário Diego Ricci também volta seus olhares para o Litoral Norte. Ali, a tendência de expansão do mercado imobiliário é muito forte, contemplando compradores que são da Capital e de grandes cidades do Interior (ao redor de 80%), mas também oriundos de Santos. De acordo com Ricci, os valores praticados no Litoral Norte são bem mais altos do que na Baixada Santista. “Em Juquehy, por exemplo, é possível comprar uma casa a partir de R\$ 4 milhões. Dificilmente vai achar algumas opções na faixa de R\$ 1,5 milhão, R\$ 2 milhões. Você parte para a Baleia, já vai para um tíquete (preço) maior, de R\$ 6 milhões, R\$ 7 milhões para cima. Dá para chegar a casas de R\$ 50 milhões, até R\$ 70 milhões”. Segundo ele, praias como Juquehy, Camburi e Baleia, todas em São Sebastião, são bastante procuradas. “Você tinha muitos imóveis concentrados na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, que está em evidência por toda a infraestrutura e o conceito do condomínio em si, mas tem muito movimento. São pessoas que buscam mais calmaria em empreendimentos de altíssimo padrão, que têm concentrado boa parte dos responsáveis pelo PIB do Brasil”, completa o consultor imobiliário. “Me surpreendeu a quantidade de santista que busca uma casa ‘na praia’ no Litoral Norte. É um outro conceito de praia. Não só a questão de beleza natural, mas também o clima de veraneio, de calmaria”, afirma Ricci. O consultor imobiliário acredita que, mesmo em meio a situações de eventual trânsito no acesso a essas áreas, quem compra imóvel por lá não vê isso como um problema. “As pessoas não ficam bravas. É diferente de ficar num trânsito uma sexta-feira em São Paulo, por exemplo”, conta ele.