Urano é o terceiro maior planeta do Sistema Solar (FreePik) Terceiro maior planeta do Sistema Solar, Urano segue despertando a curiosidade e sendo visto de forma diferente pelos astrônomos. “Antes visto como um planeta ‘frio e monótono’, novas observações indicam que Urano é um mundo dinâmico, com tempestades atmosféricas, mudanças sazonais complexas e uma estrutura interna intrigante”, afirma Rogério Fernandes Brancacio, professor do colégio Carmo, de Santos, e bacharel com licenciatura plena de Física. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ser frio não é figura de linguagem. Não à toa o epíteto de Urano é “gigante gelado” por ser o mais frio do Sistema Solar. A temperatura média chega a -224 graus Celsius. Outra curiosidade é que o eixo de inclinação é superior a 90 graus, fazendo com que o planeta gire praticamente de lado em relação à Terra. “Entender Urano pode ajudar a compreender melhor a formação e evolução de outros sistemas planetários e, com a evolução de novos instrumentos de observação, como telescópios espaciais e radiotelescópios mais potentes, permitiu-se coletar dados mais detalhados sobre o planeta, revelando aspectos antes desconhecidos”, comenta Brancacio. Urano possui coloração azulada, devido à composição gasosa de amônia e metano, e atrai a atenção pela beleza, imponência e suas 27 luas. “Com o novo telescópio James Webb, foram tiradas novas fotos, além da descoberta de novas luas”, afirma Robson Carlo Volante, professor de Ciências do colégio Notre Dame, de São Vicente. “E possui 13 anéis recém-descobertos”, acrescenta. Os achados sobre Urano incluem quatro aspectos importantes, lembra o professor Rogério Fernandes Brancacio. Um envolve tempestades atmosféricas. “Observações com o telescópio Hubble e o observatório Keck identificaram tempestades brilhantes e de longa duração”, lembra. O calor interno é outro, constatado por novos estudos que sugerem que o planeta libera muito menos calor, devido a camadas que impedem a dissipação. Anéis foram detectados em outras faixas pelo telescópio Alma. “Foram detalhes nos anéis de Urano em comprimentos de onda nunca antes usados, permitindo medir suas temperaturas”, explica o professor. Auroras complexas formam o quarto aspecto. “Pesquisas recentes mostraram que Urano possui auroras distintas, causadas pela interação do seu campo magnético desalinhado com o vento solar”, detalha. (Foto: AdobeStock) Missão orbital A NASA, agência espacial norte-americana, e outras estão considerando seriamente enviar uma missão orbital com destino a Urano nas próximas décadas, provavelmente entre 2030 e 2040. “A intenção é para estudo das luas, exploração dos anéis, comparando-os aos de Saturno e estudo de modelos de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar), devido à crescente detecção de exoplanetas semelhantes a Urano em outros sistemas”, lista Brancacio.