57mil empregos foram gerados pela construção no segundo trimestre, frente aos 100 mil de janeiro a março (Divulgação/Grupo Macuco) O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no segundo trimestre, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta semana, registrou queda de 0,2% comparado aos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre, já havia recuado 0,6% em relação ao ano passado. “O desempenho reflete os efeitos da taxa de juros, que estão no maior patamar em quase 20 anos e impactam diretamente um setor altamente dependente de crédito”, afirma a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos. Os dados do PIB da construção também envolvem as atividades de pequenas obras e reformas realizadas pelas famílias que, em um cenário de juros altos, podem ser afetadas, destaca ainda a CBIC. “Apesar de ainda gerar empregos e investimentos com um nível de produção elevado, a construção já sente os efeitos do atual patamar dos juros. É preciso criar condições mais favoráveis de crédito e financiamento para que o setor possa continuar contribuindo com a economia”, afirma o presidente da CBIC, Renato Correia. Apesar das quedas, a taxa acumulada nos últimos quatro trimestres, na comparação anual, evidencia um crescimento de 3,6%. Já o primeiro semestre deste ano, comparado ao do ano anterior, mostra um incremento de 1,8% nas suas atividades, ressalta a CBIC. Geração de empregos O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, que considera apenas carteira assinada, demonstra que, nos primeiros sete meses do ano, a construção gerou 177.341 vagas. “O número de trabalhadores formais ultrapassou 3 milhões, um patamar que há mais de uma década não era observado”, enfatiza a entidade. Mas o saldo de empregos gerados pela construção, a partir de maio, está menor do que o dos primeiros meses do ano. De janeiro a março, o setor gerou 100.781 empregos e de abril a junho foram 57.494. Já o saldo de julho, de 19.066, foi o melhor desde abril, mas mesmo assim foi um patamar menor do que o do primeiro trimestre.