O uso constante de dispositivos móveis interfere no relacionamento (Divulgação / Freepik) Você já se sentiu ignorado pelo seu parceiro ou parceira enquanto ele(a) mexia no celular? Esse comportamento, conhecido como phubbing, tem ganhado atenção da psicologia moderna por seu impacto direto na qualidade dos relacionamentos afetivos. A prática, ainda que aparentemente inofensiva, pode gerar sentimentos profundos de rejeição e isolamento emocional — mesmo quando há presença física. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é phubbing? O termo phubbing é uma junção das palavras phone (telefone) e snubbing (esnobar) e descreve o hábito de ignorar uma pessoa próxima para dar atenção ao celular. Em contextos de relacionamento amoroso, o phubbing se manifesta em situações corriqueiras — como durante uma conversa, um jantar ou até mesmo na cama. Segundo pesquisa publicada pela University of Kent (Reino Unido), o phubbing está associado a níveis mais altos de insatisfação conjugal, sentimento de desprezo e baixa autoestima entre os envolvidos. Mesmo que inconsciente, esse tipo de desprezo tecnológico pode ser devastador para a conexão emocional do casal. O impacto do phubbing na saúde emocional De acordo com a American Psychological Association (APA), o sentimento de estar sendo ignorado por um parceiro pode ativar os mesmos circuitos cerebrais associados à dor física. Isso acontece porque o cérebro humano interpreta a rejeição social como uma ameaça à segurança emocional. Estudos da Universidade de Baylor, nos EUA, apontam que casais que convivem com o phubbing de forma recorrente tendem a experimentar: Menor satisfação no relacionamento Maior risco de conflitos diários Sensação de solidão mesmo quando estão juntos Menor intimidade física e emocional Aumento do estresse e ansiedade Por que o phubbing dói tanto? De acordo com especialistas em inteligência emocional da Universidade de Harvard, o vínculo afetivo humano depende de validação e atenção mútua. Quando um parceiro opta pelo celular em vez da interação presencial, a mensagem inconsciente enviada é: “o que está aqui não é tão importante quanto o que está na tela. Além disso, esse hábito frequente pode ser confundido com desinteresse, desamor ou desatenção — o que contribui para a construção de um muro emocional silencioso entre o casal. Quando o afeto dá lugar à distração digital O problema se agrava com a normalização do uso excessivo do celular. Um estudo da Universidade do Arizona revela que 70% dos casais entrevistados relataram sentir-se negligenciados devido ao uso constante de dispositivos móveis. Para muitos, essa negligência se manifesta de maneira sutil, mas persistente, como: Interrupções frequentes durante conversas Olhar fixo nas redes sociais mesmo durante momentos íntimos Falta de resposta emocional durante diálogos importantes Como evitar o phubbing e resgatar a conexão? Apesar de ser um comportamento disseminado, o phubbing pode ser evitado com pequenas atitudes que reforçam o vínculo e o respeito mútuo. Especialistas em terapia de casal sugerem: Estabelecer horários livres de celular (como refeições e antes de dormir) Praticar o “olho no olho” em conversas importantes Valorizar o tempo de qualidade juntos, sem interrupções digitais Usar o celular com consciência e comunicar quando precisar usá-lo Buscar ajuda profissional se o distanciamento já compromete a relação Phubbing também afeta outras relações Embora mais evidente em relacionamentos amorosos, o phubbing também impacta amizades, vínculos familiares e até ambientes de trabalho. Quando uma pessoa prioriza o celular constantemente, a percepção de que ela está emocionalmente ausente afeta a confiança e a empatia no convívio social.