Redução da transpiração, a diminuição da oleosidade natural e o uso excessivo de água quente podem prejudicar a pela no Inverno (Divulgação / freepik) Banhos quentes, vento gelado e ambientes mais secos. O trio típico do inverno brasileiro pode até trazer conforto para o corpo, mas representa uma ameaça silenciosa para a saúde da pele. Durante os meses mais frios do ano, o ressecamento, a descamação, a sensibilidade e até o agravamento de doenças como dermatite e psoríase tornam-se mais comuns. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), as queixas relacionadas à pele aumentam até 30% durante o inverno. E os principais motivos são a redução da transpiração, a diminuição da oleosidade natural e o uso excessivo de água quente — que afeta diretamente a barreira de proteção da epiderme. A boa notícia é que há medidas simples e eficazes para manter a pele saudável durante o inverno — e elas podem ser adotadas por qualquer pessoa, independentemente da idade ou tipo de pele. Por que a pele sofre mais no inverno? A pele é o maior órgão do corpo humano e age como uma barreira protetora. Em temperaturas baixas e ambientes secos, essa barreira fica comprometida. A umidade relativa do ar costuma cair no inverno, o que leva a uma evaporação maior da água transepidérmica — ou seja, a pele perde hidratação com mais facilidade. Além disso: Os banhos muito quentes e demorados removem o manto lipídico (a camada de gordura natural que protege a pele); Roupas mais pesadas e abafadas podem causar irritações e atrito constante; A falta de exposição solar reduz a síntese de vitamina D, o que também impacta a saúde da pele e da imunidade. O que fazer para proteger a pele no frio? Veja as recomendações dos especialistas: Aposte na hidratação intensa (por dentro e por fora) Hidratantes corporais devem ser aplicados logo após o banho, quando os poros ainda estão abertos. Prefira fórmulas com ureia, glicerina, ácido hialurônico e ceramidas, que ajudam a manter a barreira cutânea íntegra. E lembre-se: hidratar-se internamente também é essencial. Mesmo que a sede diminua no frio, o consumo de água não deve ser reduzido. Use sabonetes suaves e evite banhos muito quentes Sabonetes adstringentes e com fragrâncias fortes podem agravar o ressecamento. Opte por versões neutras, glicerinadas ou syndets (sabão sem detergente), especialmente no rosto e em regiões sensíveis, como pescoço e cotovelos. Banhos mornos e rápidos são ideais, com no máximo 5 a 10 minutos. A água muito quente, além de remover a oleosidade natural da pele, também pode provocar coceira, vermelhidão e aumentar quadros de dermatite. Não abandone o protetor solar Engana-se quem acha que o protetor solar é item exclusivo do verão. Mesmo nos dias nublados e frios, os raios UVA continuam incidindo com força e aceleram o processo de envelhecimento cutâneo. O uso diário de protetor com FPS 30 ou superior é fundamental, inclusive para quem passa o dia em ambientes fechados com iluminação artificial. Cuidado redobrado com rosto, lábios e mãos Essas são as áreas que mais sofrem com o frio e o vento, por ficarem mais expostas. Use bálsamos labiais com manteiga de karité, lanolina ou vitamina E, e evite o hábito de lamber os lábios, que piora o ressecamento. Para as mãos, cremes específicos com silicone ou óleo de amêndoas ajudam a proteger contra rachaduras. No rosto, inclua hidratantes com niacinamida ou ácido hialurônico na rotina, sempre respeitando seu tipo de pele. Fique atento a sinais de alerta Se a pele apresentar descamações intensas, coceira persistente, vermelhidão ou feridas, pode haver algum quadro clínico, como dermatite atópica, eczema ou psoríase. Nestes casos, a automedicação pode agravar o problema. Procure um dermatologista. O que evitar no inverno? Esfoliar a pele com frequência (no máximo 1 vez por semana, e com produtos suaves); Usar loções com álcool (que ressecam ainda mais); Deixar de beber água; Substituir a hidratação por óleos corporais (eles ajudam, mas não substituem os hidratantes com ação umectante); Usar tecidos sintéticos diretamente sobre a pele (prefira algodão como primeira camada).