Falar dormindo pode ser apenas uma característica curiosa e passageira, mas também merece atenção se se tornar recorrente (Divulgação / freepik) Para muitos, a cena parece engraçada ou até inofensiva, mas a ciência mostra que esse comportamento está ligado a um grupo de distúrbios chamado parassonia. Conversar durante o sono, fenômeno conhecido como sonilóquio, pode ser comum em algumas fases da vida, mas, em casos persistentes, pode indicar que algo não vai bem com a saúde. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é parassonia? A parassonia é um termo usado para classificar comportamentos anormais que ocorrem durante o sono. Dentro desse grupo, estão condições como: Sonambulismo: quando a pessoa se levanta e anda enquanto dorme. Terror noturno: episódios de medo intenso durante o sono, geralmente acompanhados de gritos. Sonilóquio: falar dormindo, o foco desta reportagem. Esses distúrbios acontecem em fases diferentes do ciclo do sono e podem variar de intensidade, desde episódios leves até quadros que atrapalham significativamente a rotina. Por que algumas pessoas conversam dormindo? De acordo com especialistas, o sonilóquio ocorre devido a microdespertares no cérebro durante o sono. Ou seja, parte da atividade cerebral se mantém ativa o suficiente para produzir fala, mas sem que a pessoa acorde totalmente. Entre os fatores que podem favorecer o quadro estão: Estresse e ansiedade; Privação de sono; Uso de certos medicamentos; Histórico familiar (tendência genética). Crianças e adolescentes tendem a falar mais durante o sono, mas os episódios costumam diminuir com o tempo. Quando é sinal de alerta? Embora geralmente seja considerado benigno, falar dormindo pode ser um sintoma de outros distúrbios. Entre eles: Apneia obstrutiva do sono: pausas na respiração durante a noite. Epilepsia noturna: crises convulsivas que ocorrem enquanto a pessoa dorme. Distúrbios psiquiátricos, como ansiedade e depressão. Se os episódios forem muito frequentes, acompanhados de movimentos bruscos, gritos ou sonolência diurna excessiva, é importante procurar m médico especialista em sono. Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico costuma começar com uma avaliação clínica e, em casos persistentes, pode incluir a polissonografia, exame que monitora as fases do sono, movimentos e atividade cerebral. Esse mapeamento ajuda os profissionais a identificar se o sonilóquio é apenas um episódio isolado ou se está associado a outra condição médica. Existe tratamento para parassonias? Nem sempre o tratamento é necessário. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina já ajudam a reduzir os episódios, como: Praticar higiene do sono (ter horários regulares, evitar telas antes de dormir, manter o quarto escuro e silencioso); Reduzir o consumo de álcool e cafeína; Controlar estresse e ansiedade com técnicas de relaxamento. Quando há diagnóstico de um distúrbio associado, o tratamento pode incluir medicamentos ou terapia comportamental. Curiosidades sobre falar dormindo Algumas pessoas conseguem manter diálogos completos durante o sono, sem lembrar de nada no dia seguinte. Há relatos divertidos nas redes sociais de parceiros que gravam as falas para depois mostrar à pessoa. Em casos raros, o conteúdo das conversas pode refletir preocupações do dia a dia, mas não deve ser interpretado como “confissões” inconscientes. O que fica de alerta Falar dormindo pode ser apenas uma característica curiosa e passageira, mas também merece atenção se se tornar recorrente ou estiver ligado a outros sinais de problemas de sono. Procurar ajuda médica é o caminho mais seguro para entender a causa e, se necessário, iniciar um tratamento adequado.