Dormir em lençóis sujos pode provocar coceira, desconforto, suor noturno e irritações (Divulgação / Freepik) Você se lembra da última vez que trocou os lençóis da sua cama? Muita gente adia essa tarefa por dias — ou até semanas. Mas o que parece apenas um descuido doméstico pode afetar diretamente a sua saúde. Especialistas em dermatologia, infectologia e higiene do sono alertam que dormir repetidamente nos mesmos lençóis acelera o acúmulo de ácaros, fungos, bactérias, suor, resíduos de pele e até poluentes, criando um ambiente propício a doenças respiratórias, alergias e infecções cutâneas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o ambiente do quarto e da cama é um dos locais com maior concentração de agentes alergênicos dentro de casa — e lençóis mal lavados são um dos principais responsáveis. O lençol vira um “ecossistema invisível” Durante a noite, o corpo humano transpira, descama células mortas e solta resíduos naturais, como secreções, sebo e pelos. Esses materiais se acumulam nos lençóis e fronhas, servindo de alimento para ácaros, bactérias e fungos, segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention). O calor do corpo, somado à umidade do suor e à falta de ventilação adequada, cria um ambiente ideal para proliferação desses micro-organismos. A cada noite de sono, uma pessoa pode eliminar até 1,5 milhão de células da pele e produzir cerca de 200 ml de suor, segundo dados do Good Housekeeping Institute, do Reino Unido. Riscos para pele, pulmões e imunidade Demorar para trocar os lençóis aumenta o risco de diversos problemas de saúde. Veja os principais: Dermatites e acne Fungos e bactérias acumulados no tecido podem agravar casos de espinhas, foliculite e dermatite de contato. Fronhas sujas são especialmente nocivas para quem tem pele oleosa. Rinite e asma Ácaros que se alimentam de pele morta se multiplicam em colchões e lençóis. Eles liberam resíduos que provocam crises de rinite alérgica, espirros e piora da asma. Infecções fúngicas e bacterianas Pessoas com imunidade baixa, feridas ou cortes na pele estão mais suscetíveis a infecções por estafilococos e fungos, que se acumulam em tecidos contaminados. Sono de baixa qualidade Dormir em lençóis sujos pode provocar coceira, desconforto, suor noturno e irritações, reduzindo a qualidade do sono e afetando o descanso profundo, segundo a Fundação Nacional do Sono dos EUA. Com que frequência trocar a roupa de cama? De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e orientações da American Academy of Dermatology, a recomendação ideal é: Lençóis e fronhas: trocar a cada 7 dias (ou até 3 dias, em casos de pele sensível ou clima quente). Cobertores e edredons: a cada 15 dias a 1 mês. Travesseiros: trocar a cada 2 anos e lavar a cada 30 a 45 dias. Colchão: aspirar a cada 15 dias e trocar a cada 5 a 10 anos. Além disso, deixar o quarto bem ventilado, expor roupas de cama ao sol e lavar com água quente (quando possível) ajuda a controlar microrganismos. Dicas práticas para manter a cama saudável Lave os lençóis com sabão neutro e água quente (acima de 60 °C), se o tecido permitir. Seque ao sol para eliminar ácaros e bolores. Evite deitar na cama com roupas usadas na rua. Troque as fronhas com mais frequência se tiver acne, oleosidade ou cabelos muito tratados. Use protetores de colchão e travesseiro com material antialérgico.