Crescimento em Santos e na Baixada Santista da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida é projetado especialmente a partir do segundo semestre (Alexsander Ferraz/AT) Lançado em abril do ano passado, com expectativa de beneficiar 120 mil famílias nos primeiros meses, o Minha Casa, Minha Vida Classe Média, também chamado de Faixa 4, ainda busca sua consolidação no mercado imobiliário. Seu orçamento para este ano, aprovado pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), é de R\$ 15 bilhões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Até o início de dezembro, segundo o Ministério das Cidades, a Faixa 4 beneficiou 25.191 famílias. Ela é voltada à renda familiar mensal entre R\$ 8 mil e R\$ 12 mil, contemplando a classe média, que antes era obrigada a acessar linhas de crédito mais caras. A expectativa de empresários ouvidos por A Tribuna é de que esses números cresçam este ano, especialmente a partir do segundo semestre. Para o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Lucas Teixeira, em 2026, devem haver lançamentos que irão se englobar na Faixa 4. “Acredito que alguns serão pensados para atender essa faixa, porque, com a criação dela e um aumento no valor financiado pelo programa, alguns projetos se tornaram viáveis de executar”. Teixeira acredita que as áreas mais propícias em Santos para receber essa modalidade são Campo Grande, Embaré, Macuco, Estuário, Vila Mathias e Centro. Como uma luva “Eu acho que a Faixa 4 em Santos vai cair como uma luva, principalmente na zona intermediária, entre o Centro e a antiga linha da máquina”, afirma o diretor da Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho. “Você vai conseguir produzir imóveis de dois dormitórios, com até 50 metros quadrados, ou talvez até mesmo três dormitórios, se for mais para o Centro. Veio para ajudar muito”. Ele lembra que a produção de qualquer imóvel demora, no mínimo, até um ano e meio, desde a compra do terreno ao início da obra. “Essa foi uma das dificuldades dos imóveis de Santos, de não se encaixarem na Faixa 4. Mas, de fato, ninguém antes tinha produzido especificamente o imóvel até R\$ 500 mil”. Barroso diz que recebeu diversas reclamações de clientes que, por muito tempo, se sentiam “excluídos” em função da preferência das construtoras pelo médio e alto padrão. “De dois anos para cá, esse panorama vem mudando”, avalia. A Engelife, do Grupo Engeplus, tem projeto que atendem as faixas 3 e 4. “Isso abre uma possibilidade para as pessoas se incluírem e viverem em Santos”. Região possui “demanda relevante” O presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob) e membro do Conselho Diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Ricardo Beschizza, diz que, na Baixada Santista, a parcela do mercado na Faixa 4 (renda de R\$ 8 mil a R\$ 12 mil) do Minha Casa, Minha Vida é expressiva. “Ela representa uma demanda relevante e ávida por produtos habitacionais”. Segundo ele, em anos eleitorais, historicamente aumentam os investimentos em obras estruturais e em programas sociais, como esse programa. “A Faixa 4 do programa recebeu um montante considerado pequeno no ano passado, com a promessa de mais verbas para 2026”, diz Beschizza. Segundo ele, a utilização do Fundo Social do pré-sal para destinar recursos à Faixa 4 é positiva e tecnicamente adequada, mas precisa avançar do campo das intenções para a efetiva implementação. Beschizza diz que projetos desse porte seguem o mesmo ciclo de qualquer empreendimento imobiliário – da aquisição do terreno e estudos de viabilidade, passando pelas etapas burocráticas de aprovação até a execução da obra e a venda das unidades. “Cabe ressaltar a possibilidade de queda na taxa de juros (Selic) a partir de março, o que acaba trazendo um contingente ainda maior a se enquadrar na linha de crédito”.