Casas de média padrão, com até 4 quartos, são as mais procuradas, principalmente as sobrepostas, mais em conta do que os imóveis isolados (Sílvio Luiz/AT) Embora Santos seja conhecida como a cidade mais vertical do País, o mercado de compra e venda de casas segue aquecido. A preferência por mais espaço, quintal e liberdade tem mantido a demanda firme, especialmente entre famílias jovens que querem fugir dos altos custos condominiais. Segundo representantes do setor imobiliário ouvidos por A Tribuna, os preços variam conforme o tamanho e a localização — em alguns casos, o valor de um imóvel pode ultrapassar os R\$ 2 milhões. “O segmento de compra e venda de casas em Santos é tão aquecido quanto o de apartamentos. Só que, como temos muito mais apartamentos, o volume é um pouco menor. Mas há muita gente que procura casas para comprar”, afirma o CEO da R3 Imóveis, Sthefano Lopes. De acordo com pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), feita em março, a venda de apartamentos ainda representa a maioria das transações na região (62%), contra 38% das casas. A média de valores dos imóveis vendidos no período ficou entre R\$ 300 mil e R\$ 400 mil. A maior parte das casas era de dois dormitórios, com área útil entre 50 m² e 100 m². A pesquisa, feita com base em informações de 145 imobiliárias dos nove municípios da Baixada Santista, mostra que 52,4% das propriedades vendidas estavam na periferia, 17,9% nas regiões centrais e 29,8% em áreas nobres. Em Santos, bairros como Marapé, Macuco, Estuário, Vila Belmiro e outros mais afastados da orla concentram a maioria das casas. “Eles têm uma condição melhor para esse tipo de imóvel, e acabam tendo mais viabilidade em termos de custo”, diz o diretor regional do Secovi (sindicato das empresas de compra e venda de imóveis), Carlos Meschini. “Temos bastante casas sobrepostas. Às vezes, a pessoa quer fugir de pagar condomínio ou busca uma área aberta para viver com cachorro e mais conforto. Esse cliente entra só buscando casa”, acrescenta Lopes. O público que mais procura por casas é formado por casais jovens, muitas vezes com filhos e animais de estimação. “Os mais idosos hoje não procuram casas porque não se sentem seguros. Os mais jovens, por outro lado, gostam de liberdade”, diz o gerente-geral de Vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa. Mercado aquecido “O segmento de compra e venda de casas em Santos é tão aquecido quanto o de apartamentos. Só que, como temos muito mais apartamentos, o volume é um pouco menor. Mas há muita gente que procura casas para comprar”, afirma Sthefano Lopes, CEO da R3 Imóveis. Preferência por espaço e conforto O tipo de imóvel mais buscado costuma ter três dormitórios, quintal e duas vagas de garagem. “Geralmente, esses casais já têm um filho e pensam no segundo. Por isso, buscam casas maiores”, diz Ricardo Novoa, gerente-geral de Vendas da Família Imóveis. Segundo Lopes, casas de médio padrão, com dois a quatro dormitórios, são as mais procuradas — especialmente as sobrepostas, que têm valor mais acessível do que casas isoladas. De acordo com a R3, das 4,2 mil unidades disponíveis em seu sistema, 569 são casas. O preço médio é de R\$ 1.583.000, com imóveis variando de R\$ 230 mil — nos bairros Saboó, Castelo, Vila Matias e Rádio Clube — a R\$ 35 milhões por um imóvel no Morro Santa Terezinha. Villagios ganham espaço no mercado Outro tipo de imóvel que tem se destacado são os sobrados em villagio (pequenas vilas). Com dois quartos, duas suítes, garagem fechada e churrasqueira, custam entre R\$ 650 mil e R\$ 750 mil. “Muitas pessoas que procuram esses imóveis vivem em apartamentos de R\$ 300 mil a R\$ 400 mil e querem dar um salto”, afirma Novoa. Os villagios estão concentrados nos bairros Marapé, Campo Grande, Macuco e Estuário. Já condomínios fechados de casas são raros em Santos. “Temos poucos. Alguns no Canal 6 e o principal, que é o Morro Santa Terezinha, um condomínio de alto luxo com valor agregado elevado”, explica Lopes. Pressão das construtoras valoriza terrenos A escassez de terrenos tem levado construtoras a buscar casas bem localizadas para empreendimentos. Com isso, o valor desses imóveis tende a subir. “Uma casa isolada, sem viabilidade de incorporação, tem um valor. Mas, se pode ser unida a outras e formar um terreno para um prédio, o valor muda completamente”, diz Carlos Meschini, diretor regional do Secovi. “A pressão das construtoras é grande sobre casas bem localizadas. Os proprietários sabem que, se venderem para incorporadoras, conseguem valores acima do mercado. Muitas vezes há trocas por apartamentos já prontos ou em construção”, reforça Lopes. Segundo ele, para que haja interesse de construtoras, o ideal é que a área formada tenha ao menos 20 metros de frente e 800 m² de terreno. “A dificuldade é realmente compor essas áreas. Isso está cada vez mais raro, principalmente em regiões nobres de Santos, que são muito limitadas.”