A transmissão ocorre principalmente pelas gotículas geradas na descarga do vaso sanitário (Divulgação / Freepik) É difícil resistir: o celular virou companhia inseparável, até mesmo nas idas ao banheiro. Enquanto para muitos essa prática é inofensiva ou até relaxante, a ciência aponta o contrário. Pesquisadores de diversas instituições alertam: esse hábito aparentemente inocente pode estar expondo você a uma carga significativa de bactérias, germes e outros contaminantes — e, pior, você os leva de volta para as mãos, a mesa de trabalho e até a cama. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um estudo conduzido pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Pública do Reino Unido, revelou que 1 em cada 6 celulares está contaminado com fezes — mesmo entre usuários que dizem lavar as mãos com frequência. Isso ocorre porque os smartphones não costumam ser higienizados com a mesma regularidade que outros objetos de uso pessoal, como talheres, copos ou até roupas íntimas. O que realmente está no seu celular? Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, o banheiro é um ambiente de alta concentração de microrganismos — e seu celular, ao ser usado ali, funciona como uma “esponja digital” para diversos deles. Entre os principais microrganismos encontrados em dispositivos usados em banheiros, destacam-se: Escherichia coli (E. coli) – bactéria intestinal que pode causar diarreia, infecções urinárias e intoxicação alimentar. Staphylococcus aureus – pode provocar infecções na pele e em feridas abertas. Enterococos – alguns são resistentes a antibióticos e causam infecções graves em pessoas vulneráveis. Norovírus e rotavírus – vírus gastrointestinais altamente contagiosos. A transmissão ocorre principalmente pelas gotículas geradas na descarga do vaso sanitário, que se dispersam pelo ar e se depositam em superfícies — incluindo o celular, suas mãos e até suas roupas. Impactos silenciosos, mas perigosos O perigo vai além da simples contaminação. O uso do celular no banheiro aumenta o tempo de exposição no ambiente, favorecendo a proliferação bacteriana tanto no aparelho quanto na pele das mãos. Segundo o Instituto de Microbiologia Aplicada da Universidade do Arizona, celulares podem conter até 10 vezes mais bactérias do que a tampa do vaso sanitário. E há um fator agravante: esses microrganismos podem sobreviver por dias em telas de vidro, capas de silicone e frestas dos aparelhos. Ao tocar no celular e, em seguida, manusear alimentos, coçar os olhos ou tocar o rosto, o risco de infecção se torna real. O que dizem os especialistas O microbiologista Charles Gerba, conhecido como "Dr. Germ", reforça que o banheiro é um local onde a combinação de umidade, calor e material biológico cria o ambiente ideal para o crescimento de colônias de bactérias. “Se você leva o celular para lá, está se expondo — e aos outros — a uma rota de contaminação que poderia ser facilmente evitada”, afirma. O dermatologista Alexandre Okamori, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, alerta também para os efeitos na pele: “a exposição constante a germes no celular pode causar dermatites, acne e infecções cutâneas, especialmente em quem já tem tendência”. O que fazer para evitar riscos A boa notícia é que mudar o hábito pode reduzir drasticamente os riscos. Especialistas em controle sanitário recomendam: Evite levar o celular ao banheiro, especialmente em locais públicos ou compartilhados. Higienize o celular diariamente com panos umedecidos com álcool isopropílico 70%. Lave as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos após usar o banheiro. Desinfete a capa do celular com frequência, pois ela também acumula resíduos invisíveis.