Para textos complexos e técnicos, a leitura ainda leva vantagem, segundo estudos (Divulgação / Freepik) Com a popularização dos audiolivros, podcasts e recursos de leitura digital, uma pergunta se tornou cada vez mais comum: é melhor ler ou ouvir para aprender e memorizar informações? Estudos recentes apontam que a resposta depende de vários fatores, como o objetivo do aprendizado, a complexidade do conteúdo e até mesmo o estilo cognitivo de cada pessoa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O cenário atual do consumo de informação Nunca foi tão fácil acessar conteúdo em diferentes formatos. Enquanto livros físicos e digitais continuam populares, o áudio ganhou espaço como alternativa prática para aprender durante deslocamentos, tarefas domésticas ou atividades físicas. Segundo dados da Associação de Editores de Audiolivros dos EUA (APA), o consumo de áudio cresceu mais de 55% nos últimos cinco anos. No Brasil, plataformas como Spotify e Audible registram aumento expressivo na procura por audiolivros e podcasts educativos. O que a ciência diz sobre ler e ouvir Estudos da Universidade da Califórnia indicam que, em termos de compreensão geral, ler e ouvir apresentam resultados semelhantes para textos simples. Porém, quando o conteúdo é denso ou técnico — como artigos científicos ou manuais —, a leitura tende a oferecer melhor retenção de detalhes. Isso ocorre porque, na leitura, é mais fácil controlar o ritmo, reler trechos e fazer anotações. Já no áudio, a compreensão pode ser comprometida se houver distrações no ambiente ou se a velocidade de reprodução não for ajustada. Vantagens de cada formato Ler: Maior controle do ritmo e da ênfase. Possibilidade de releitura e marcação de trechos. Mais indicado para conteúdos complexos. Ouvir: Ideal para multitarefas ou deslocamentos. Pode aumentar a produtividade em horários “ociosos”. Melhor para conteúdos narrativos e histórias. O papel da memória e da atenção A retenção de informações está diretamente ligada à atenção. A leitura tende a exigir um foco mais concentrado, enquanto o áudio depende mais do ambiente e do estado mental do ouvinte. Pessoas que se distraem facilmente podem se beneficiar mais da leitura silenciosa, enquanto as que têm boa capacidade de atenção auditiva podem preferir o áudio. Alternar formatos pode ser a solução Especialistas sugerem que a melhor estratégia pode ser combinar leitura e áudio. Esse método, conhecido como “aprendizado multimodal”, estimula diferentes áreas do cérebro e fortalece a memória. Um estudo da Universidade de Waterloo, no Canadá, mostrou que alunos que liam e depois ouviam o mesmo conteúdo conseguiam lembrar até 30% mais informações na semana seguinte, em comparação com quem usou apenas um formato. Não existe um formato universalmente superior — a escolha deve levar em conta o tipo de conteúdo, o objetivo e as preferências individuais. Para textos complexos e técnicos, a leitura ainda leva vantagem. Já para histórias, narrativas e revisões, o áudio pode ser igualmente eficaz.