Unidades mais antigas chamam a atenção de colecionadores (Pixabay) Fabricada pela Volkswagen no Brasil entre os anos de 1957 e 2013, a Kombi é um clássico automotivo, com mais de 1,5 milhão de unidades produzidas e longevidade fora do comum. A vocação para a eternidade, em razão do design e de seus múltiplos usos comerciais, também concedeu a valorização ao veículo. “As que tiveram valorização expressiva são as consideradas mais antigas, principalmente as corujinhas (feitas no Brasil até 1975 – a frente se assemelha ao rosto da ave). As mais recentes também ainda são valorizadas no comércio brasileiro ou fora dele”, afirma o presidente do Clube de Automóveis Antigos de Santos (CAAS), João Antônio Rechtenwald. “Atualmente, chega a níveis estratosféricos, fazendo com que uma Kombi seja vendida de R\$ 250 mil a R\$ 300 mil, inclusive no Brasil”, emenda. Dentre os modelos, um que foi produzido apenas na Alemanha de 1951 a 1967 sempre chama a atenção dos colecionadores: a Kombi Samba. Para a Volkswagen, quando foi lançada, era apenas versão especial da Bulli (nome do veículo em terras germânicas), com 21 ou 23 janelas. Algumas chegaram a ser enviadas ao Brasil na época, mas a versão nunca foi vendida oficialmente no País. Embora o ritmo brasileiro não esteja descartado como origem da alcunha, Samba poderia ser a sigla em alemão para Sonnendach-Ausführung mit besonderem Armaturenbrett (versão de teto solar com painel especial) ou talvez Sonder Ausführung mit besonderer Ausstattung (versão especial com características especiais). “Essas são mais valorizadas na Europa e no Japão. Eles transformam em motorhome, uma casa sobre rodas. Isso valorizou bastante a revenda lá. Para se ter noção, há 10 anos, falava-se em US\$ 30 mil para vender uma Kombi lá. E elas eram comercializadas naquela época no Brasil de R\$ 5 mil a R\$ 10 mil”, recorda Rechtenwald. Restauração cara Proprietário da oficina Frota Vento, no Bairro Vila Nova, em Santos, Miguel Fonseca afirma que a procura por restauração de Kombi é muito baixa, mas, quando há o pedido, é extenso. “É para fazer orçamento de reparação completa (funilaria, pintura, tapeçaria, elétrica, vidraçaria e mecânica)”, lista. Os custos e o tempo para que isso aconteça também são grandes. “Uma reparação geral custa, em média, em torno de R\$ 500 mil, e depende do tempo de reparação (em média de três a cinco anos). É que envolve muita pesquisa para que o veículo recupere e mantenha toda a originalidade, além de mão de obra muito especializada e artesanal”, justifica. Histórias O aposentado vicentino Marco Antônio Pereira Alonso, de 74 anos, já vendeu mais de 25 Kombis. Uma que possui, uma Kombi Samba 21 janelas – que, segundo ele, só existe a dele no Brasil – possui história bem curiosa. “O dono criava porcos dentro dela, uma verdadeira pocilga mesmo. Comprei e mandei restaurá-la, deixando totalmente original”, afirma. Proprietário de duas Kombis 1976 e 1977, o técnico de manutenção santista Elvis Roberto Castellani Gomes, de 63 anos, já enfrentou problemas. Um deles aconteceu com um modelo 1969 que tinha e vendeu, sendo enviado para a Alemanha. A bobina sofreu superaquecimento, mas um pano molhado fez com que voltasse a funcionar e ele voltasse para casa, depois de encontro de veículos antigos. “Quando fui buscar a 1977 no interior de São Paulo e levar para meu amigo que iria fazer a reforma em outra cidade, também do interior, percebi no meio do caminho que estava ficando sem freios. Precisei dirigir com muito cuidado. E consegui chegar no destino praticamente sem freio algum, mas inteiro”, recorda.