Quase um terço das empresas que tentaram contratar ou renovar crédito de longo prazo não tiveram êxito (AdobeStock) Oito em cada dez empresas industriais que tiveram dificuldade de obter crédito de curto ou médio prazo citam os juros elevados como principal entrave para o acesso. Os dados constam de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). O nível dos juros é a razão mais citada como entrave pelos respondentes, com 80% das menções – nesta quarta-feira (28), a taxa Selic foi mantida em 15% ao ano (leia mais na página 13). Em seguida, aparecem a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas (17%). “A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI. No crédito de longo prazo, acima de cinco anos, a ordem dos fatores percebidos como entraves é a mesma. Os juros altos foram citados por 71% dos empresários industriais. A exigência de garantias reais foi mencionada por 31%, e a falta de linhas de crédito adequadas, por 17%. Os dados do levantamento divulgados pela CNI mostram que, de fevereiro a julho de 2025, 54% das empresas não buscaram contratar ou renovar crédito de longo prazo. Só 17% fizeram contratações ou renovações. No crédito de curto e médio prazo, as proporções são de 49% e 26%, respectivamente, levando em conta o mesmo período. Quase um terço das empresas industriais que procuraram contratar ou renovar crédito de longo prazo no período analisado não teve sucesso, segundo a entidade. Quando considerado o crédito de curto e médio prazo, aproximadamente 20% das empresas não conseguiu contratar ou renovar. A maior parte das empresas que renovaram as linhas de crédito avaliou que as condições de acesso – juros, número de parcelas, período de carência, exigência de garantias – nem melhoraram, nem pioraram no período analisado. O índice é de 47% tanto para o curto e médio prazo quanto nas operações de longo prazo. Também entre as empresas que renovaram o crédito de curto ou médio prazo, 35% afirmaram que as condições de acesso ficaram piores entre fevereiro e julho, e 14%, que ficaram melhores. No longo prazo, a proporção dos que viram piora de condições foi de 33%, e dos que viram melhora, de 12%. Só 13% das empresas industriais afirmaram já ter contratado alguma operação de risco sacado nos 12 meses anteriores à pesquisa. Outras 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes ao levantamento. Por outro lado, 54% disseram não ter contratado e nem pretender contratar esse tipo de operação, enquanto 29% não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa ouviu 1.789 indústrias, entre grandes, médias e pequenas, em agosto de 2025.