Trabalhar em casa pode parecer confortável, mas sem estrutura emocional e disciplina, o ambiente vira um gatilho para ansiedade, solidão e até burnout (Rogério Soares / AT) A promessa de mais liberdade e qualidade de vida fez do home office o modelo de trabalho ideal para muitos profissionais no pós-pandemia. Mas, à medida que o formato se consolida, surgem também alertas de psicólogos e especialistas sobre os impactos silenciosos do trabalho remoto na saúde mental. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a UFRJ, 63% dos profissionais que atuam em home office relatam sintomas frequentes de ansiedade, insônia ou exaustão mental, principalmente entre os que não impõem limites claros entre vida pessoal e profissional. Entre o conforto e a sobrecarga: como o home office afeta o emocional No início, o trabalho remoto foi visto como uma solução inovadora: menos deslocamentos, mais tempo com a família, flexibilidade de horários. No entanto, com o tempo, muitos profissionais passaram a enfrentar sensações de isolamento, esgotamento emocional, dificuldade de concentração e problemas de relacionamento com colegas. O excesso de reuniões online, a ausência de pausas reais, a hiperconectividade e a pressão por produtividade em casa criaram um novo tipo de estresse crônico, segundo aponta pesquisa da International Journal of Environmental Research and Public Health. Entre os principais fatores que impactam a saúde mental no home office, estão: Falta de separação entre vida pessoal e profissional; Jornadas mais longas e sem pausas adequadas; Sensação de estar sempre “disponível”; Redução da socialização e trocas afetivas; Culpa por não ser “produtivo o suficiente” mesmo em casa. Sintomas mais comuns observados por psicólogos A psicologia clínica tem registrado aumento expressivo de queixas emocionais entre trabalhadores em home office. Os sintomas mais relatados são: Ansiedade generalizada; Insônia ou sono fragmentado; Desmotivação e sensação de estagnação; Dores musculares e fadiga mental; Crises de irritabilidade e sensação de culpa constante; Isolamento social e sensação de “invisibilidade” no trabalho. O que dizem as empresas? Muitas companhias já perceberam o impacto do modelo remoto e passaram a investir em programas de saúde emocional, horários mais flexíveis, pausas obrigatórias e encontros presenciais periódicos para manter o senso de pertencimento. Como se proteger emocionalmente no home office? Psicólogos e especialistas em saúde mental apontam algumas práticas simples — e eficazes — para preservar o equilíbrio emocional: Estabeleça uma rotina com horários fixos de trabalho, pausas e fim de expediente; Crie um espaço específico para trabalhar, mesmo que pequeno, evitando fazer tudo na cama ou sofá; Mantenha rituais de transição, como trocar de roupa pela manhã e caminhar ao final do expediente; Evite reuniões desnecessárias e períodos muito longos sem pausas; Busque manter contato social, mesmo que virtual, com colegas ou amigos; Faça pausas para alongamento, respiração ou meditação durante o dia; Procure ajuda profissional caso sintomas emocionais persistam. E o futuro do trabalho? Com a consolidação do home office e modelos híbridos em diversas empresas, o desafio dos próximos anos será desenvolver uma cultura de trabalho mais humana e sustentável emocionalmente, onde a saúde mental tenha o mesmo peso que as metas e resultados. O Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Psicologia já estudam formas de integrar a saúde mental ao plano de trabalho remoto em ambientes públicos e privados, com cartilhas educativas e apoio psicológico virtual.