Pressões a partir de 120/70 mmHg já são vistas como sinal de alerta, segundo especialistas (Nirley Sena / AT) Por muitos anos, a pressão arterial de 12 por 8 foi considerada o “padrão-ouro” da saúde cardiovascular. No entanto, novas diretrizes de instituições brasileiras e internacionais vêm mudando essa percepção. A partir de atualizações recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), pressões a partir de 120/70 mmHg já são vistas como sinal de alerta — especialmente quando persistem ao longo do tempo ou em medições domiciliares. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A principal mudança não está no diagnóstico oficial de hipertensão — que ainda é definido por valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg —, mas na forma como os níveis intermediários são classificados. Pressões entre 120/70 e 139/89 mmHg agora recebem o rótulo de “pressão elevada”, o que significa que a pessoa já está em uma zona de risco e precisa rever seus hábitos para evitar a progressão para hipertensão. De acordo com a SBC e o Instituto Nacional de Cardiologia, o uso de métodos como MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial) e Mapa (Monitorização Ambulatorial por 24 horas) é essencial para identificar situações como hipertensão mascarada ou efeito do avental branco. Essas medições fora do consultório oferecem uma visão mais realista da saúde cardiovascular, especialmente para quem apresenta picos de pressão em momentos de estresse ou em ambientes médicos. Outro ponto importante é que a média da pressão registrada em casa também teve sua faixa de normalidade reduzida. Antes, uma pressão de até 135/85 mmHg em casa era aceita como normal. Agora, valores iguais ou superiores a 130/80 mmHg já acendem o alerta, exigindo mudanças na alimentação, aumento da atividade física e, em alguns casos, uso de medicamentos conforme orientação médica. Nos Estados Unidos, essa abordagem já é adotada desde 2017, com diretrizes da American Heart Association que classificam como hipertensão leve pressões entre 130/80 e 139/89 mmHg. A mudança na visão dos especialistas ocorre após uma série de estudos que mostraram maior risco de infarto, AVC e problemas renais mesmo em pessoas que não se enquadram no antigo critério de hipertensos. A boa notícia é que, segundo os especialistas, até 70% dos casos de pressão elevada podem ser revertidos ou controlados com mudanças no estilo de vida. Dietas com menos sal, abandono do cigarro, prática regular de exercícios e controle do estresse são as principais medidas para manter o coração em dia. Mais do que nunca, acompanhar a própria pressão — mesmo que ela pareça “normal” — é um ato de prevenção. Entenda as novas medidas de acordo com estudos: - Pressão entre 120/70 e 139/89 mmHg agora é considerada “elevada” - Diagnóstico de hipertensão ainda se mantém em 140/90 mmHg ou mais - Novos valores para medição em casa (MRPA): ≥130/80 mmHg já é preocupante - Mapa e MRPA são recomendados para evitar erros de diagnóstico - Estilo de vida saudável pode reverter ou estabilizar quadros de pressão elevada - Aferições devem ser feitas em ambiente calmo, com equipamento validado e posicionamento correto