A frequência 432 Hz se refere à afinação do som musical, mais especificamente à nota Lá (A) central, tocada a 432 ciclos por segundo (Divulgação / Freepik) Nos últimos anos, a frequência 432 Hz se tornou um fenômeno no universo da música terapêutica, do yoga, da meditação guiada e até das playlists de relaxamento no YouTube. Muitos acreditam que essa afinação específica — ligeiramente diferente do padrão atual de 440 Hz — promove efeitos benéficos no corpo e na mente, como redução da ansiedade, sensação de paz interior e até alinhamento energético. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas, afinal, o que a ciência tem a dizer sobre essa frequência tida por alguns como “natural”, “divina” ou “curativa”? O que é a frequência 432 Hz? Para entender o debate, é importante saber que a frequência 432 Hz se refere à afinação do som musical, mais especificamente à nota Lá (A) central, tocada a 432 ciclos por segundo. Atualmente, a afinação padrão da música ocidental é 440 Hz, estabelecida oficialmente em 1955 pela Organização Internacional de Padronização (ISO). No entanto, antes disso, a afinação variava bastante, com orquestras e compositores utilizando escalas entre 415 e 435 Hz. A defesa da frequência 432 Hz parte da ideia de que ela está mais em sintonia com os ritmos naturais do universo, com o corpo humano e com padrões vibracionais da natureza, como a frequência de Schumann (ressonância da Terra). O que dizem os estudos científicos? Embora ainda seja um tema controverso e com poucas pesquisas em larga escala, estudos experimentais têm investigado possíveis efeitos fisiológicos da música em 432 Hz. Um estudo publicado na Journal of Evidence-Based Integrative Medicine (2019), realizado por pesquisadores da Universidade de Palermo, na Itália, mostrou que indivíduos expostos à música afinada em 432 Hz apresentaram redução mais significativa da frequência cardíaca e da pressão arterial do que os que ouviram música em 440 Hz. Outro estudo da Universidade da Calábria, também na Itália, indicou que a afinação em 432 Hz gerava maior relaxamento e percepção subjetiva de bem-estar em comparação com outras frequências. “Os resultados sugerem que a afinação em 432 Hz pode ter uma influência mais calmante sobre o sistema nervoso autônomo”, afirma a pesquisadora Giulia Coppola, uma das autoras do estudo italiano. Efeitos no cérebro: o poder das vibrações sonoras A música, por si só, tem forte impacto sobre o cérebro humano. Sons com frequências estáveis e harmônicas ativam o sistema límbico, responsável pelas emoções, e influenciam a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina. Estudos de neuroacústica — área que estuda a relação entre som e resposta cerebral — apontam que certas frequências podem facilitar estados de relaxamento profundo, concentração e até induzir o sono. No entanto, ainda não há consenso científico de que 432 Hz seja, de fato, “superior” ou “curativa” em relação a outras. “A resposta sonora é subjetiva. Algumas pessoas se sentem profundamente tocadas por músicas em 432 Hz, enquanto outras não percebem diferença alguma. O importante é o contexto emocional em que a música é ouvida”, explica o neurocientista Daniel Levitin, autor de This is Your Brain on Music. Por que 432 Hz é tão usada em meditação e práticas holísticas? A frequência de 432 Hz se popularizou principalmente entre praticantes de meditação, terapeutas integrativos e músicos espiritualistas. Muitos alegam que ela “ressoa com o coração humano”, por estar supostamente mais alinhada com padrões matemáticos universais, como a sequência de Fibonacci ou os sólidos platônicos. No campo das terapias vibracionais, acredita-se que sons nessa frequência ajudam a reequilibrar chakras, reduzir bloqueios energéticos e harmonizar corpo e mente. No entanto, vale lembrar: essas alegações são empíricas e ainda não validadas por estudos científicos amplos. Mesmo assim, a música em 432 Hz é amplamente utilizada em sessões de reiki, yoga, massoterapia, relaxamento guiado e aplicativos de sono. E os mitos? A internet está repleta de teorias que cercam a frequência 432 Hz — algumas sem qualquer base científica. Entre os principais mitos, estão: “A afinação 440 Hz foi imposta por regimes autoritários para controlar as emoções humanas” — Não há comprovação histórica sólida para essa alegação, embora tenha sido propagada por figuras como Joseph Goebbels durante o nazismo. “432 Hz cura doenças físicas” — Não há evidência científica que comprove cura médica. Pode haver benefícios psicofisiológicos, como relaxamento e redução de estresse, mas não substitui tratamentos clínicos. “É a frequência do universo” — Embora poético, esse conceito é metafórico. A frequência de Schumann, por exemplo, é de 7,83 Hz — muito abaixo da faixa audível.