Fenômeno raro ocorrerá neste mês de julho (Sílvio Luiz / AT) Durante algumas noites de julho, quem observar o céu com atenção poderá testemunhar um fenômeno astronômico raro e visualmente curioso: uma série de ocultações estelares, que criam um efeito semelhante ao de estrelas piscando rapidamente. Apesar de sutil a olho nu, o fenômeno chama a atenção de astrônomos e curiosos por sua raridade e beleza. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse “piscar” celestial não é causado por problemas na visão, nem tampouco por mudanças climáticas. Trata-se de um evento técnico e fascinante da astronomia: quando corpos celestes como asteroides ou a própria Lua passam exatamente à frente de estrelas, bloqueando sua luz por frações de segundo. O efeito, em série, faz parecer que os pontos de luz do céu se apagam e reaparecem em sequência — como se o céu estivesse piscando. Neste mês, um alinhamento incomum de asteroides e outros corpos rochosos da cintura de Kuiper passará por diferentes constelações visíveis do hemisfério sul, permitindo que moradores de várias partes do Brasil observem o fenômeno sem a necessidade de telescópios. Dependendo da localização e das condições climáticas, será possível presenciar o efeito a olho nu, principalmente em noites de céu limpo e longe da poluição luminosa. O que são ocultações estelares e por que são tão especiais Ocultações estelares ocorrem quando um objeto do sistema solar — como um asteroide, planeta ou satélite natural — passa exatamente na frente de uma estrela, encobrindo-a temporariamente da nossa visão aqui na Terra. O apagão pode durar de poucos milissegundos até alguns segundos, e é monitorado por astrônomos para estudar características desses corpos, como tamanho, órbita e presença de atmosfera. O que torna o fenômeno de julho especial é a frequência com que esses bloqueios vão ocorrer. Entre os dias 19 e 27 de julho, estão previstas dezenas de ocultações quase sucessivas de estrelas de magnitude baixa, observáveis de diferentes regiões do planeta — incluindo o Brasil. Será como se o céu estivesse piscando lentamente ao longo da noite, criando um espetáculo natural raro. Além de seu valor visual, o fenômeno tem enorme importância científica. Ocultações estelares são usadas para detectar atmosferas de exoplanetas, medir diâmetros de asteroides e mapear com precisão suas órbitas. O estudo desses eventos contribui diretamente para o monitoramento de objetos próximos à Terra (NEOs) — que podem representar risco em caso de colisão futura. Melhores datas e horários para observar o fenômeno no Brasil A previsão exata das ocultações depende da posição do observador e das condições climáticas. No entanto, astrônomos brasileiros já confirmaram que as noites entre 20 e 24 de julho serão as mais favoráveis para observar o fenômeno em regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país. Os melhores horários de observação são: Entre 20h e 23h, quando a maioria das ocultações previstas ocorrerá No horizonte leste e nordeste, onde os corpos celestes estarão em melhor visibilidade Em locais com pouca ou nenhuma poluição luminosa (como sítios, praias afastadas ou áreas de campo aberto) Mesmo com céu parcialmente nublado, ainda será possível observar o efeito intermitente, principalmente quando os corpos ocultadores forem de grande porte. Como observar: você não precisa de telescópio, mas precisa estar atento Apesar de o fenômeno ser observado com mais precisão por meio de equipamentos astronômicos, muitos dos efeitos visuais poderão ser percebidos a olho nu. Algumas recomendações para melhorar a observação: Escolha um local afastado da cidade, com céu limpo e escuro Dê tempo para os olhos se adaptarem ao escuro (cerca de 15 minutos) Use aplicativos como Stellarium, Sky Map ou Star Walk para acompanhar a movimentação celeste em tempo real Se quiser registrar o fenômeno, use câmeras com longa exposição ou modo noturno Outros eventos astronômicos previstos para julho: Além das ocultações estelares que farão o céu "piscar", o mês de julho ainda reserva outros eventos celestes: Lua cheia do Trovão (21 de julho): uma das mais brilhantes do ano Conjunção de Vênus e Júpiter (28 de julho): com brilho intenso logo após o pôr do sol Chuva de meteoros Delta Aquarídeos (30 de julho): com pico previsto de até 20 meteoros por hora Julho será, sem dúvidas, um dos meses mais movimentados do ano para a observação do céu.