A aposta no serviço expresso se intensificou com a mudança de comportamento do consumidor () Em meio à corrida por agilidade no comércio digital, as farmácias brasileiras entraram com tudo no jogo do delivery ultrarrápido. Grandes redes do varejo farmacêutico estão investindo pesado em infraestrutura logística, tecnologia e centros de distribuição urbanos para entregar medicamentos, cosméticos e itens de conveniência em até 30 minutos – um movimento que desafia diretamente os aplicativos tradicionais de entrega, como iFood, Rappi e 99Food. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A aposta no serviço expresso se intensificou com a mudança de comportamento do consumidor, que hoje exige rapidez não apenas para refeições e mercado, mas também para produtos de saúde e bem-estar. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o número de pedidos por aplicativos próprios e canais digitais das drogarias cresceu mais de 90% nos últimos dois anos, com destaque para compras emergenciais, como antigripais, analgésicos e itens de primeiros socorros. O novo fronte da guerra da entrega: saúde com urgência Se antes a velocidade era um diferencial para quem vendia hambúrguer ou pizza, agora virou requisito básico no segmento farmacêutico. Redes como Droga Raia, Drogasil, Pague Menos, Panvel e Drogaria São Paulo estão entre as líderes que implementaram hubs urbanos, frota própria de motoboys e integração com tecnologias de geolocalização para garantir entregas quase instantâneas – muitas vezes sem depender de apps intermediários. O diferencial, segundo as empresas, está no atendimento farmacêutico qualificado, cumprimento rigoroso da legislação sanitária e em um processo mais controlado do que aquele realizado por aplicativos de terceiros. Competição acirrada com os superapps A ofensiva das farmácias se tornou uma ameaça real ao modelo dos superapps, que passaram a incluir farmácias em seus catálogos, mas ainda enfrentam desafios como a falta de padronização dos estoques, inconsistências nos preços e limitações no controle da cadeia fria de medicamentos. Por outro lado, as redes farmacêuticas têm a vantagem de oferecer um ecossistema integrado, com histórico de compras, programas de fidelidade, descontos personalizados e atendimento farmacêutico online. Além disso, muitas operam 24 horas, o que amplia a capacidade de atendimento em horários críticos. O futuro do delivery farmacêutico Com o avanço da inteligência artificial e da automação logística, o delivery ultrarrápido tende a se tornar um pilar estratégico para as redes de farmácia, que já estudam soluções como armários inteligentes, drones e carros autônomos para entregas futuras. Além disso, o mercado farmacêutico vê no delivery ágil uma oportunidade de expandir a oferta de serviços remotos, como teste de glicemia, aferição de pressão e até consulta por telemedicina, com a entrega de medicamentos prescritos na sequência. Um setor em transformação Os dados confirmam essa tendência: em 2024, o mercado de delivery farmacêutico movimentou R\$ 5,6 bilhões, um crescimento de 38% em relação ao ano anterior, segundo a consultoria IQVIA. E a previsão para os próximos cinco anos é de crescimento anual superior a 20%, impulsionado por mudanças regulatórias, digitalização do setor e novos hábitos de consumo. Para o consumidor, a principal vantagem é clara: agilidade com segurança. E para o mercado, a mensagem também é direta: quem não se adaptar à nova lógica da conveniência pode ficar para trás.