Os cãos que têm um comportamento atípico exigem uma abordagem especializada (Divulgação Freepik) O autismo, em humanos, é caracterizado por alterações no desenvolvimento neurológico que afetam a comunicação, interação social e padrões de comportamento. Nos cães, não existe um diagnóstico oficial de “autismo canino”, mas estudos da Universidade de Tufts, nos EUA, e do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) apontam que alguns pets podem apresentar distúrbios neurológicos com características muito próximas às do espectro autista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A síndrome do comportamento disfuncional canino pode incluir hiperfoco, comportamentos obsessivos e dificuldade de socialização. O problema não é comum, mas existe e pode comprometer a qualidade de vida do animal se não for compreendido e tratado adequadamente. Como identificar sinais semelhantes ao autismo em cães? Entre os comportamentos observados por tutores estão: Evitar contato visual ou físico Repetir movimentos, como girar no mesmo lugar Hipersensibilidade a sons ou toques Dificuldade de se relacionar com outros cães ou pessoas Fixação por objetos ou rotinas específicas É importante ressaltar que esses sinais também podem estar ligados a outros distúrbios, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ansiedade ou até problemas sensoriais. O diagnóstico exige uma avaliação multidisciplinar e muita observação. Não é qualquer comportamento estranho que indica autismo canino, segundo especialistas da USP. O que dizem os estudos sobre o tema? Uma das pesquisas mais citadas sobre o tema foi publicada na revista Veterinary Behavior Journal, com base em avaliações de filhotes da raça Bull Terrier que apresentavam comportamentos repetitivos, dificuldade de socialização e hipersensibilidade. Os cientistas observaram semelhanças com o TEA humano, mas alertaram que ainda é cedo para fazer equivalências diretas. No Brasil, instituições como a USP e a UFRGS realizam estudos sobre alterações comportamentais caninas e destacam que fatores como genética, traumas na infância (desmame precoce, por exemplo) e exposição a substâncias tóxicas podem influenciar o desenvolvimento neurológico dos cães. Isso não significa autismo, mas sim condições neurológicas comparáveis. Como cuidar de um cachorro com sinais de comportamento atípico? O tratamento e acompanhamento exigem uma abordagem especializada. O primeiro passo é procurar um médico-veterinário comportamentalista, que pode solicitar exames neurológicos, testes comportamentais e observar o ambiente onde o cão vive. Em muitos casos, a reeducação ambiental, mudanças de rotina, enriquecimento sensorial e, em situações específicas, medicamentos podem melhorar a qualidade de vida do pet. A paciência dos tutores também é fundamental. Conclusão: cachorro autista existe? Ainda não há um consenso científico que classifique cães como autistas nos mesmos moldes dos humanos. Porém, alguns animais apresentam condições neurológicas e comportamentais muito semelhantes, o que justifica o uso popular (ainda que informal) da expressão “autismo canino”. O mais importante é que esses cães sejam compreendidos, diagnosticados corretamente e recebam os cuidados apropriados — com ciência, empatia e dedicação.