Segundo o Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres no Brasil. (Divulgação / Freepik) Enquanto datas como o Dia das Mães e o Dia da Mulher geram mobilização social e afeto imediato, o Dia do Homem, comemorado em 15 de julho no Brasil, ainda passa despercebido por boa parte da população. No entanto, especialistas alertam: a data tem um papel fundamental no debate sobre saúde pública e transformações das masculinidades. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Criado nos anos 1990 por iniciativa de instituições de saúde, o Dia do Homem foi instituído no Brasil com o objetivo de conscientizar sobre a prevenção de doenças e promover uma cultura de autocuidado entre os homens — algo historicamente negligenciado. Dados revelam um retrato preocupante Os números não mentem. Segundo o Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres no Brasil. Eles também representam cerca de 70% das mortes por causas externas (acidentes, homicídios e suicídios) e têm menor frequência em consultas médicas de rotina. Além disso: 80% dos homens só procuram atendimento médico quando os sintomas estão avançados As taxas de suicídio masculino são quatro vezes maiores do que entre mulheres (Fonte: OMS) Apenas 30% dos homens realizam exames preventivos de forma regular, como o de próstata ou de colesterol Mas afinal, o que é ser homem hoje? Mais do que uma questão biológica, o Dia do Homem levanta discussões sobre identidade de gênero, estereótipos e transformação cultural. O modelo de masculinidade tradicional — centrado em força, poder, autocontrole e invulnerabilidade — está sendo questionado pelas novas gerações. Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva (2023), 73% dos homens brasileiros afirmam sentir pressão para “ser forte o tempo todo”, e quase metade deles nunca falou sobre saúde mental com amigos ou familiares. Saúde do homem vai além do câncer de próstata A campanha Novembro Azul trouxe luz ao cuidado com o câncer de próstata, mas a saúde masculina envolve muito mais do que isso. É preciso abordar, com seriedade e empatia: Saúde mental e prevenção do suicídio Depressão e ansiedade (que muitas vezes se manifestam de forma silenciosa ou mascarada por agressividade) Saúde sexual e reprodutiva Abuso de álcool, tabaco e outras drogas Sedentarismo e doenças cardiovasculares, que afetam mais os homens Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o autocuidado é um dos pilares para melhorar a qualidade de vida e a longevidade masculina — o que exige também mudanças culturais. Uma masculinidade mais plural e saudável Em vez de reforçar padrões rígidos, o Dia do Homem pode ser um espaço para valorizar a escuta, a presença afetiva, a parentalidade ativa, a responsabilidade emocional e o diálogo entre os pares. Iniciativas como rodas de conversa, paternidade consciente, grupos terapêuticos e campanhas nas empresas têm contribuído para abrir espaço a novas formas de ser homem no século 21 — com mais empatia, autoconhecimento e menos silêncio.