Data centers operam 24 horas e pressionam consumo de água e energia (AdobeStock) Autênticos “galpões de tecnologia”, os data centers cheios de servidores, discos e equipamentos de rede trabalham 24 horas por dia para manter no ar todo um universo digital. No entanto, tamanha complexidade tem uma contrapartida: o consumo em excesso de água e energia para seu bom funcionamento. Por exemplo: o equivalente a uma garrafa d'água é necessário para gerar um único e-mail com 100 palavras, além de consumir 0,14 kWh, que manteriam 14 lâmpadas de LED acesas por uma hora. O desafio do momento é conservar essa produtividade, mas com um olhar mais sustentável. Segundo o professor do Curso de Graduação em Inteligência Artificial (IA) da Unisanta, Claudio Nunes, os datacenters gastam tanta energia porque fazer computação em grande escala significa ligar milhares de máquinas ao mesmo tempo, e quase toda essa eletricidade acaba virando calor. “Aí entra a segunda parte do gasto: tirar esse calor sem parar, com sistemas de refrigeração industriais, bombas, ventiladores e, em muitos casos modernos, refrigeração líquida por causa da alta potência de GPUs. Além disso, como um data center não pode ‘cair’, ele tem redundância e conversões elétricas (nobreaks, UPS, etc.) que também somam consumo”, explica. Nunes conta que a água entra principalmente no resfriamento, pois alguns dos métodos mais eficientes para economizar energia usam evaporação (algo parecido com “suor”), o que ajuda a resfriar bem, mas consome água. “Mesmo quando um datacenter não usa muita água diretamente, pode existir um consumo indireto, dependendo de como a energia elétrica é gerada na região”. Mais sustentável O professor do Curso de Graduação em Inteligência Artificial (IA) entende que, para pensar em sustentabilidade, a lógica é atacar o problema em camadas. “Primeiro, é importante reduzir desperdício de computação (software mais eficiente, menos ociosidade, melhor uso de recursos), depois melhorar a eficiência do prédio e do resfriamento (controle mais inteligente, free cooling quando dá, refrigeração líquida bem projetada), ao mesmo tempo em que se busca energia mais limpa e estável (renováveis, com gestão de demanda) e se faz uma gestão séria de água (preferir soluções de baixo ou zero consumo onde a água é crítica, reuso quando possível, monitoramento e transparência)”, ensina. Para ele, no fim, a ideia é simples: “se data centers são cada vez mais essenciais, precisam crescer junto com eficiência, energia limpa e uso responsável de água, para não virarem um gargalo ambiental”, complementa. Sem risco O levantamento Consumo de Energia e Água em Data Centers no Brasil, realizado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), aponta que os data centers representavam, em 2024, 1,7% do consumo total de energia elétrica no Brasil — o equivalente a 8,2 TWh, diante dos 650,4 TWh consumidos em todo o país. A projeção para 2029 é que esse número chegue a 27,3 TWh, o que representa 3,6% do consumo nacional previsto. “A crescente demanda por processamento de dados exige atenção especial à sustentabilidade. É importante reforçar que os data centers não representam uma ameaça aos recursos naturais do Brasil. A evolução tecnológica tem levado a uma eficiência cada vez maior no uso desses recursos e o setor está cada vez mais comprometido com práticas eficientes e responsáveis”, argumenta o presidente executivo da Brasscom, Affonso Nina, em material publicado no site da entidade.