Edifícios em Santos: mais empreendimentos nos bairros da orla e mercado aquecido na zona intermediária (Sílvio Luiz/AT) O próximo ano será aquecido para a construção civil, segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Renato Correia. Para ele, três fatores devem colaborar para esse cenário: o orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com R\$ 144,5 bilhões para a habitação, a modernização do modelo de captação de recursos pelos bancos para financiamentos habitacionais, que deve render entre R\$ 30 bilhões e R\$ 40 bilhões, e a perspectiva da queda na taxa Selic, hoje em 15%. Correia considera ainda a implementação do programa Reforma Casa Brasil, que disponibilizará R\$ 40 bilhões em crédito com juros a partir de 1,17% ao mês e condições adaptadas às diferentes faixas de renda familiar. “Costumo dizer que construção civil é um negócio que usa muito dinheiro de investimento por muito tempo. Mas nossa expectativa é de um setor forte, aquecido e ainda muito pujante na geração de emprego”, afirma. O programa Minha Casa Minha Vida, que neste ano ganhou a Faixa 4, voltada às famílias com renda de até R\$ 12 mil, é visto como um importante fiador da política habitacional do País. “O programa teve um ótimo desempenho, com um orçamento aplicado na casa de R\$ 127 bilhões. O segmento da Faixa 1, com recursos da União, também começou a desenvolver”. A Faixa 1 é voltada às famílias mais pobres, com a maior parte do empréstimo subsidiada pelo governo. O presidente da Cbic ressalta que a queda da taxa Selic é necessária, porque “é ruim para os negócios, desacelera lançamentos e posterga investimentos”. A expectativa dos economistas é que a Selic começará a recuar em março, chegando aos 12% no fim do próximo ano. “Com financiamento mais caro, as famílias têm dificuldade de acessar crédito imobiliário, governos enfrentam obstáculos para viabilizar projetos estruturantes e empresas assumem maior risco ao planejar expansões ou modernizações”, explica Correia. “O setor está preparado para avançar, mas precisa de um ambiente financeiro mais favorável”. Burocracia Segundo ele, o maior gargalo para o setor está na burocracia. “Ela consome 18 meses do nosso tempo envolvido com empreendimento. Quanto mais digitais forem os governos, seja federal, municipais ou estaduais, e mais rápida for a aprovação das obras pelas prefeituras, melhor será para a sociedade que usa os nossos serviços. Precisamos simplificar para ajudar essa grande indústria a oferecer mais rapidamente imóvel de qualidade e infraestrutura de qualidade”. Habitação terá mais de R\$ 220 bi em financiamentos no próximo ano Presidente da Cbic destaca recursos do FGTS e da poupança, além da nova linha para a reforma de moradias Edifícios em Santos: mais empreendimentos nos bairros da orla e mercado aquecido na zona intermediária Eleições O presidente da Cbic, Renato Correia, avalia que a construção civil não sofrerá os impactos causados pela corrida eleitoral de 2026. “O setor fica muito tranquilo com relação a isso, porque trabalha com contratos de longo prazo”, afirma ele. “O mercado imobiliário já vem com o programa Minha Casa, Minha Vida, que depois mudou de nome por um curto período, o Casa Verde Amarela, no Governo Bolsonaro. A gente entende que é um programa de Estado, não tem como não oferecer habitação para a população, que tem um déficit ainda de 6 milhões de habitações. Então, nós continuamos empreendendo normalmente. E a infraestrutura vai na mesma direção”. Região tem “velocidade de cruzeiro” No mercado regional, a expectativa do diretor do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis (Secovi-SP), Carlos Meschini, é que o setor continue no que define como “velocidade de cruzeiro” em 2026. “A perspectiva é manter (os preços) pelo menos no começo do ano. A ideia é de que a taxa de juros baixe do meio do ano para frente, quando teremos uma expectativa melhor de venda. Acredito que o patamar do ano que vem é de preços estabilizados, sem nada de loucura ou subida”, afirma ele. O diretor da construtora Engeplus, Roberto Barroso Filho, também tem boas perspectivas para 2026. Segundo ele, a tendência é pela procura de imóveis com preços entre R\$ 300 mil e R\$ 500 mil, em zonas intermediárias de Santos, entre a Avenida Francisco Glicério e a região central. “São imóveis mais acessíveis, de dois dormitórios, um dormitório, até três dormitórios compactos”, afirma. Para ele, imóvel de dois dormitórios, tipo 80 metros quadrados, e de três dormitórios até 120 metros quadrados, terão boa procura. Entre os bairros, os empreendimentos devem predominar em regiões como Ponta da Praia, Aparecida, Embaré e Boqueirão, que devem concentrar em torno de 90% dos prédios em construção. Investimento no centro Barroso também vê potencial no Centro. “O primeiro empreendimento foi lançado no Valongo. Provavelmente outras empresas vão lançar imóveis no Centro — a Engelife, por exemplo, vai lançar 160 apartamentos na Avenida São Francisco. É uma tendência tímida ainda, mas é um mercado que algumas construtoras de Santos vão começar a apostar”.