Sair do vermelho exige planejamento, disciplina e ação imediata (Reprodução/Adobe Stock) Você se sente afogado em boletos e não vê saída? A boa notícia é que, com planejamento e algumas atitudes certeiras, é possível quitar dívidas em um prazo mais curto do que se imagina. A má é que isso exige disciplina e, muitas vezes, abrir mão de certos hábitos de consumo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo dados da Serasa Experian, o Brasil bateu recorde em 2024 com mais de 73 milhões de pessoas endividadas — número que representa cerca de 44% da população adulta. A maioria dos débitos está concentrada em cartões de crédito, empréstimos pessoais e contas básicas como água e luz. Ainda assim, é possível reverter o cenário com foco e estratégia, mesmo em tempos de inflação alta e juros elevados. A seguir, confira um guia com ações práticas, embasadas por especialistas e instituições reconhecidas de economia, para quitar suas dívidas em menos tempo. 1. Faça um diagnóstico completo da sua dívida Antes de qualquer ação, é essencial entender quanto se deve, para quem e em quais condições (valor, juros, atraso, parcelas). Organize: Tipo de dívida (cartão, cheque especial, financiamento etc.) Valor principal e valor total com juros Número de parcelas restantes Credor e meio de cobrança Você pode usar planilhas, apps financeiros (como Organizze, Mobills, Minhas Economias) ou até o Serasa Limpa Nome para ver os débitos formalmente registrados em seu CPF. Dica prática: Priorize as dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial. 2. Negocie com os credores e aproveite feirões de renegociação Renegociar pode parecer desconfortável, mas é um direito do consumidor e uma das formas mais eficazes de sair do sufoco. Credores preferem receber menos do que não receber nada. De acordo com o Procon-SP, mais de 80% dos acordos feitos em feirões resultam em descontos significativos. Acompanhe: Feirões da Serasa, Febraban e Procons estaduais Programas como Desenrola Brasil, que têm oferecido renegociações com até 96% de desconto Importante: Prefira acordos com parcelas que cabem no seu orçamento realista. Não adianta renegociar e continuar inadimplente. 3. Venda o que não usa e gere renda extra rapidamente A forma mais direta de reduzir dívidas em pouco tempo é colocar dinheiro extra em circulação. E isso pode começar com a venda de itens parados: Roupas, eletrônicos, móveis e utensílios em bom estado Plataformas como OLX, Enjoei, Shopee, Facebook Marketplace Além disso, considere fontes de renda temporárias: Freelas rápidos (design, texto, aula particular, tradução) Trabalhos de fim de semana (motorista de app, vendas, eventos) Habilidades manuais (doces, costura, conserto de eletrônicos) Segundo a Fundação Dom Cabral, famílias que dedicam parte do tempo livre à renda extra têm 15% mais chances de quitar dívidas em até 12 meses. 4. Corte os gastos supérfluos — e seja realista Uma etapa dolorosa, porém essencial. O corte de gastos deve ser imediato, mas com critérios. Use o método 3R: Reveja: analise gastos fixos e variáveis Reduza: corte streaming, delivery, assinaturas e serviços não essenciais Reprograme: negocie contratos de telefonia, internet e academia De acordo com o Banco Central, famílias com endividamento crônico tendem a manter despesas que não são compatíveis com sua realidade — e isso perpetua o ciclo de inadimplência. Ferramentas úteis: Aplicativos de controle de orçamento (GuiaBolso, Meu Dinheiro, Mobills) podem automatizar esse processo. 5. Evite novas dívidas até resolver as antigas Esse é um dos maiores erros de quem está tentando sair do vermelho: contrair novos compromissos financeiros enquanto ainda paga os antigos. Isso inclui: Parcelar compras no cartão sem necessidade Fazer empréstimos sem planejamento Usar o cheque especial como extensão da conta Especialistas do Valor Investe recomendam: só volte a fazer parcelas ou assumir financiamentos depois de zerar o passivo atual, com folga no orçamento. 6. Use o 50-30-20 a seu favor Depois de renegociar e começar a pagar, adote um modelo de gestão como o 50-30-20, adaptado para sair de dívidas: 50% da renda líquida: gastos essenciais (aluguel, contas, transporte, alimentação) 30%: pagamento de dívidas ou renegociação 20%: poupança emergencial ou reserva Segundo economistas, o segredo para sair do vermelho rápido é estabilizar os gastos essenciais e canalizar tudo o que sobrar para o pagamento da dívida. 7. Mantenha uma reserva para não se endividar novamente Quando a dívida for quitada, é hora de pensar no futuro. Ter uma reserva, ainda que modesta, ajuda a evitar novas dívidas com imprevistos. Comece com o objetivo de guardar 10% do que ganha por mês, mesmo que aos poucos.