Saiba o que fazer na hora da compra para que a experiência do novo motorista não se torne uma dor de cabeça (AdobeStock) A sensação de independência dada pela chegada aos 18 anos sempre teve na carteira de habilitação um dos sinais mais consagrados. Tanto que, só neste ano, de acordo com dados do Detran-SP, foram emitidas no Estado 401.695 primeiras habilitações, o que equivale a 13,86% das emissões de novas CNH no período. Mas, com a licença para dirigir, vem a questão: o que levar em conta na hora de comprar o primeiro carro? A Tribuna buscou orientações a quem está de olho no primeiro veículo, seja ele novo ou usado. De modo geral, a preocupação deve recair sobre preços em conta, manutenção acessível, fácil dirigibilidade e boa condição de revenda. “Para quem vai comprar o primeiro carro, o ideal é escolher um modelo que caiba no seu bolso, tanto na hora da compra quanto na manutenção do dia a dia. Um carro econômico, que gaste pouco combustível e tenha revisões acessíveis, faz toda a diferença para não pesar no orçamento”, afirma o gerente de Marketing do Grupo Comeri, Alex Vieira. Segundo ele, é importante optar por um veículo confiável, de marcas reconhecidas pela durabilidade e com boa aceitação no mercado, garantindo mais tranquilidade no uso e valorização na hora da revenda. “Dessa forma, o primeiro carro se torna não apenas uma conquista especial, mas também uma escolha inteligente e segura”, recomenda. Cinco passos Sócio-proprietário da loja multimarcas Carmaxx, Marcelo Marcelino indica cinco pontos de atenção na compra do primeiro veículo. O primeiro deles é fazer cálculos. “A pessoa tem que calcular, primeiramente, e saber como administrará o primeiro carro quanto às finanças. Ver o consumo, valor de IPVA, seguro. Se for assumir uma prestação, questões de juros e manutenção. Comprar e não conseguir honrar pode ser uma primeira frustração”. Marcelino também elenca uma análise sobre a real necessidade da compra. “É aconselhável pegar inicialmente um carro pequeno, de manutenção barata, de peças baratas. Assim, a pessoa pode manobrar com mais facilidade, estacionar em garagens que hoje são bem pequenas, e não se assustar com o preço de uma peça, caso dê uma ‘encostada’ e quebre uma lanterna. Deve-se dar preferência a carro que ela consiga ter uma visualização boa ao volante”. O sócio-proprietário da Carmaxx explica que o conceito de carro transitório deve ser o foco. “A pessoa precisa comprar um veículo mais comercial, porque é transitório. Ela estará com o carro por um período pequeno, de aprendizado. Então, se pegar um veículo que seja ruim de revenda, vai ter um problema”. E como escolher o carro ideal diante disso? “Alguns modelos podem ser vistos como ideais para esse primeiro carro, como o Polo (Volkswagen), HB20 (Hyundai), Mobi (Fiat) e o Onix (Chevrolet)”. Por fim, a dica de ouro de Marcelino: não arriscar a sorte em uma loja sem referência. “É recomendado escolher uma loja ou uma concessionária renomadas, onde a pessoa não se frustre com a compra. Além disso, ter uma garantia do produto da maneira correta (90 dias total), sair com o carro de manutenção feita, sem surpresas”. Laudo Cautelar Também chamado de vistoria cautelar, é um documento feito por empresas especializadas para verificar a procedência e o estado real de um carro usado. Ele é muito importante porque ajuda o comprador a não cair em golpes ou surpresas desagradáveis. O laudo mostra se o carro já sofreu batidas fortes (principalmente em partes estruturais, como chassi e longarinas), se passou por enchente ou incêndio, se a quilometragem é verdadeira (detecta adulteração no odômetro), se houve adulteração em numeração do chassi, motor ou vidros (o que pode indicar clonagem) e se o carro tem histórico de leilão ou sinistro. Também são verificadas condições gerais, como pintura, funilaria, pneus e sistema elétrico, entre outros pontos.