Em apenas 25 anos, transformações digitais afetam comunicação, trabalho e consumo, além do nosso dia a dia (Banco de imagens) A ficção tratou de colocar muitas esperanças no avanço tecnológico do século 21. Por mais que não tenhamos carros ou tênis voadores, como nos filmes da trilogia De Volta para o Futuro ou o desenho animado Os Jetsons. Mas é inegável que os últimos 25 anos mudaram a humanidade por meio da tecnologia. Para o coordenador do Curso de Graduação em Inteligência Artificial da Unisanta, Luis Fernando Mauá, poucas vezes na história a humanidade viveu transformações tão rápidas e profundas quanto as ocorridas nas primeiras décadas do século 21. “Ela deixou de ser uma ferramenta complementar para se tornar o eixo central da vida moderna, influenciando atividades simples do cotidiano a decisões estratégicas de governos, empresas e indivíduos”, afirma. Como comparação, no final do século 20 o acesso à tecnologia ainda era limitado. A internet funcionava por linha telefônica, com conexões lentas e instáveis e celulares usados apenas para chamadas eram algumas das características. “O conhecimento, por sua vez, encontrava-se majoritariamente em livros, enciclopédias e bibliotecas. A partir de 2001, esse cenário começou a mudar rapidamente”, acrescenta. Mauá cita, como exemplo, a digitalização da música, por exemplo, que eliminou CDs e aparelhos volumosos, permitindo que canções fossem carregadas no bolso. “Pouco depois, plataformas colaborativas passaram a concentrar informações antes fragmentadas, tornando comum consultar conteúdos on-line para tarefas escolares, profissionais ou decisões cotidianas”. (AdobeStock) Comunicação A comunicação foi uma das áreas mais impactadas pela evolução tecnológica deste século. Se no passado ligações interurbanas eram caras e chamadas internacionais raras, hoje, as conversas por vídeo com pessoas em outros continentes acontecem de forma instantânea e gratuita. “Com a popularização dos smartphones a partir do final da década de 2000, a tecnologia passou a acompanhar o indivíduo continuamente. Um único dispositivo passou a concentrar funções de câmera fotográfica, agenda, banco, mapa e até carteira”, atesta Mauá. Ele pontua que, na década de 2010, a computação em nuvem consolidou uma mudança silenciosa, mas decisiva. Arquivos deixaram de ficar presos a um único computador e passaram a ser acessados de qualquer dispositivo conectado à internet. Isso permitiu o trabalho remoto e a redução da dependência de estruturas físicas. Houve, ainda, a revolução dos streamings. “Eles substituíram a programação fixa da televisão e a compra de mídias físicas. Hoje, o usuário escolhe o que assistir, quando e onde”, descreve. Já comércio eletrônico tornou-se rotina: roupas, alimentos, eletrodomésticos e até medicamentos são comprados online. “O digital passou de alternativa a infraestrutura básica da sociedade”. "A tecnologia deixou de ser apenas ferramenta e passou a moldar comportamentos, relações sociais e modelos econômicos", diz especialista (Gabriela Morais/Imagem gerada por IA) IA, uma revolução em curso Um ponto de largada para uma nova revolução tecnológica, ainda em curso, é a inteligência artificial (IA). Ferramentas capazes de escrever textos, corrigir trabalhos, criar imagens, auxiliar no planejamento financeiro ou sugerir soluções profissionais passaram a fazer parte do dia a dia de estudantes, professores, médicos, advogados e empreendedores. Luis Fernando Mauá observa o pilar dessa revolução: os agentes de Inteligência Artificial. Se a IA generativa popularizou a ideia de “conversar com máquinas”, os agentes avançam um passo além: eles deixam de apenas responder e passam a agir. “Em vez de depender de comandos a cada etapa, um agente recebe um objetivo e é capaz de planejar, dividir tarefas, integrar sistemas, executar rotinas em sequência e acompanhar resultados ao longo do tempo. Na prática, funciona como um “operador digital” que trabalha em segundo plano para entregar soluções prontas”, explica. Suas aplicações afetam áreas de conhecimento, como Direito, Medicina, Educação e Tecnologia, Engenharia e Dados, além de Marketing e Vendas e Recursos Humanos. “O século 21 ainda está sendo construído, mas já evidencia uma mudança estrutural: a tecnologia deixou de ser apenas ferramenta e passou a moldar comportamentos, relações sociais e modelos econômicos. O futuro próximo dependerá não apenas da velocidade da inovação, mas da capacidade da sociedade de usar essas tecnologias de forma ética, inclusiva e sustentável”, complementa.