O consumo de energia elétrica no banho representa até 25% da conta mensal de luz em residências brasileiras (Divulgação / Freepik) Presente em mais de 70% das casas brasileiras, o chuveiro elétrico é um símbolo da adaptação nacional a uma infraestrutura de energia predominantemente hidrelétrica, com custo reduzido e fácil instalação. No entanto, a popularidade desse equipamento — comum até mesmo em imóveis de alto padrão — pode estar com os dias contados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos últimos anos, novas tecnologias para aquecimento de água têm ganhado espaço no mercado nacional, prometendo eficiência energética, conforto térmico e menor impacto ambiental. Soluções como os aquecedores a bomba de calor, os sistemas híbridos com energia solar e os chuveiros eletrônicos com inteligência artificial estão redesenhando o futuro do banho. A transição energética começa pelo banheiro O consumo de energia elétrica no banho representa até 25% da conta mensal de luz em residências brasileiras, segundo dados do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE). O chuveiro elétrico, apesar de acessível, é um dos vilões nesse cenário, especialmente nos horários de pico. As novas tecnologias, por outro lado, trabalham com sistemas mais inteligentes e sustentáveis. O destaque atual é a bomba de calor para aquecimento de água, já usada em países europeus e que começa a ganhar terreno no Brasil em condomínios e residências de médio a alto padrão. Esse tipo de equipamento capta o calor do ar para aquecer a água com um gasto energético até 70% menor do que o chuveiro tradicional. Outro avanço relevante é o uso de placas solares acopladas a sistemas de aquecimento, que permitem que a água seja aquecida durante o dia e armazenada em boilers térmicos. Em regiões com alta incidência solar, como o Centro-Oeste e o Nordeste, esse modelo já começa a se tornar financeiramente viável mesmo para famílias de classe média. Chuveiro inteligente: banho sob controle total Outro avanço promissor está nos chuveiros eletrônicos com inteligência artificial, que permitem controle de temperatura, fluxo de água, tempo de uso e até integração com assistentes de voz. Esses dispositivos, conectados via Wi-Fi ou Bluetooth, oferecem um banho mais personalizado e consciente. Além de proporcionarem economia de água e energia, esses equipamentos entregam dados em tempo real sobre o consumo, permitindo ajustes precisos para evitar desperdícios. Embora ainda tenham custo elevado e demanda por instalação técnica, a expectativa é que, com incentivos governamentais e maior escala de produção, os preços se tornem mais acessíveis nos próximos anos — o que pode acelerar a substituição dos chuveiros convencionais. Incentivos e novas regulamentações: o que vem por aí? O avanço das novas tecnologias está sendo acompanhado por discussões em torno de políticas públicas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia já discutem medidas para incentivar a substituição de sistemas de alto consumo, como o chuveiro elétrico, por opções mais eficientes. Além disso, incorporadoras e construtoras têm apostado em projetos com aquecimento inteligente desde a planta, o que pode tornar a substituição ainda mais acelerada nos novos empreendimentos. Programas de incentivo à microgeração solar e à eficiência energética também devem impulsionar essa virada tecnológica. A resistência ainda existe — mas está com os dias contados Apesar do avanço das novas tecnologias, o chuveiro elétrico ainda reina absoluto nas construções populares e em regiões onde a instalação de sistemas hidráulicos mais complexos é inviável. Sua praticidade, baixo custo e manutenção simples continuam sendo atrativos. Mas o mercado já aponta uma mudança em curso. Com o aumento do custo da energia elétrica, a busca por soluções sustentáveis e a necessidade de modernização do parque habitacional brasileiro, é apenas uma questão de tempo até que o chuveiro elétrico se torne peça de museu.