As regiões litorâneas oferecem o ambiente perfeito para o desenvolvimento de carrapatos (Carlos Nogueira / Arquivo AT) Com a chegada das estações mais quentes e úmidas, clínicas veterinárias de regiões litorâneas têm registrado um aumento significativo nos atendimentos por infestação de carrapatos em cães. Em cidades como Santos, Guarujá e Ubatuba o problema já acende um alerta entre tutores e profissionais da saúde animal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que o litoral é uma zona de risco? Carrapatos são ectoparasitas que se alojam na pele dos animais e se alimentam de sangue. As regiões litorâneas oferecem o ambiente perfeito para seu desenvolvimento: sombra, calor, umidade e ampla circulação de cães em praias, praças, matas e quintais. Além disso, o trânsito de turistas com seus animais favorece a disseminação dos parasitas entre cidades e estados. Muitas vezes, o tutor viaja com o pet para o litoral e não se dá conta de que o animal pode estar carregando carrapatos de volta para casa. Quais são os riscos para a saúde dos cães? Os carrapatos não apenas incomodam e irritam os cães, mas também podem transmitir doenças infecciosas graves, conhecidas como hemoparasitoses. As mais comuns no Brasil são: Erliquiose: também chamada de “doença do carrapato”, pode causar febre, sangramentos, perda de apetite e, em casos graves, insuficiência renal e hemorragias internas; Babesiose: afeta os glóbulos vermelhos, provocando anemia, icterícia, fraqueza e febre; Hepatozoonose: menos comum, mas perigosa, causa febre, dor muscular, inflamações e até paralisia. Sinais de alerta: quando procurar ajuda? Os sintomas mais comuns que indicam infestação por carrapatos ou doenças transmitidas por eles incluem: Febre persistente Falta de apetite Prostração e desânimo Gengivas pálidas Sangramentos pelo nariz ou urina escura Perda de peso rápida Coceira constante e presença visível de carrapatos na pele Ao identificar qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar imediatamente um veterinário para exames laboratoriais, como hemograma e teste rápido de erliquiose. Prevenção é a chave: o que o tutor deve fazer Veja as orientações dos especialistas para proteger seu cão de carrapatos, especialmente se você vive ou viaja para áreas litorâneas: Use antiparasitários regularmente — em forma de comprimidos, coleiras, pipetas ou sprays (consulte sempre um veterinário); Evite passeios em áreas de mato alto e vegetação densa, especialmente no verão; Faça inspeções semanais no corpo do cão, especialmente atrás das orelhas, pescoço, axilas, virilha e entre os dedos; Mantenha o ambiente limpo e dedetizado, incluindo quintais e canis; Evite que seu cão brinque com animais desconhecidos durante passeios em praias e parques; Não se esqueça da limpeza da cama, casinha e cobertores do pet, que também podem abrigar ovos e larvas do parasita. Carrapato também é risco para humanos? Sim. Além de afetar cães, os carrapatos podem picar humanos e transmitir doenças como a febre maculosa, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. Embora seja mais comum em áreas rurais, já houve registros em zonas costeiras. A recomendação é que tutores evitem contato direto com os parasitas ao removê-los e lavem bem as mãos após manusear o animal. O que fazer se encontrar carrapatos no seu pet? Remova com cuidado, usando uma pinça próxima à pele, puxando o parasita inteiro; Não esmague o carrapato com as mãos; Desinfete a área com álcool 70% ou clorexidina; Monitore o cão por sintomas nos dias seguintes; Leve ao veterinário para avaliação e exames preventivos.